sexta-feira, 23 de setembro de 2011

O velho professor do Penedo recorre aos leitores

O que leva um menino de 10 anos tentar matar a professora e depois dar um tiro na própria cabeça?

Escrevi, dias atrás sobre a influência da TV no incremento da violência social. Ou, o que seria mais correto, a banalização da violência, através da TV. Será isso? Será só isso?

O que aconteceu em São Caetano do Sul foge à lógica, ao bom senso, a tudo.

Quando, há meses atrás, um jovem invadiu uma escola do bairro de Realengo, no Rio, outros jovens, através da Internet, referiram-se a ele como "um herói". O velho professor do Penedo, numa de suas caminhadas pelas coxilhas da Asa Norte, Brasília, ouviu uma conversa entre dois rapazes em que um deles dizia, na maior cara de pau, que o jovem não soubera fazer o serviço direito. Se soubesse, disse, teria fugido sem ter sido baleado por um guarda. Triste isso, não?

Espero que meus leitores saibam responder a pergunta que abriu este comentário.  

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Um pouco da vida de Cecília

Rio de Janeiro, manhã do dia 11 de junho de 1915, uma sexta-feira. Aconteceu na Escola Normal o seguinte.
Um grupo alegre de normalistas reuniu-se numa das salas, onde uma delas, uma mocinha franzina e de aparência delicada, começou a declamar poesias de Olavo Bilac. O fato, em si, nada tinha de estranho para o local, um estabelecimento modelar de ensino, especializado na formação de professoras. E, de tão belo, mereceria mesmo ser repetido sempre, por todos os estudantes, em todas as épocas e lugares.

Cecília Meirelles

A normalista que declamava Bilac era uma jovem de treze anos, órfã de pai e mãe, cuja vida, conforme confessaria muitos anos mais tarde, foi sempre marcado pelo silêncio e pela solidão. Era uma estudante aplicada e inteligente, admirada por seus professores, e unia, nos atos e palavras, suavidade e perseverança. Seus primeiros contatos com a literatura - em especial, com a poesia - se deram aos nove anos de idade, ocasião em que escreveu o primeiro poema; aos doze, a mocinha leu e amou Eça de Queirós; adulta, tornou-se referência maior na poesia brasileira. Chamava-se Cecília Meireles.
Em junho de 1915, o diretor da Escola Normal chamava-se Hans Heilborn, professor de grego, nascido na Alemanha e radicado no Brasil em 1883. Hans era um sujeito rude, marcial e disciplinador. E nutria especial horror a Bilac, pessoa e poeta. Considerava-o um "poeta imoral e indecente" e um "homem vulgar e sem escrúpulos". Por isso, é fácil imaginar o que sentiu quando, ao entrar na sala, deparou-se com Cecília recitando um poema do autor de O caçador de esmeraldas. Dominado pela cólera, Hans investiu contra a estudante, que, num gesto de coragem, recusou-se a aceitar passivamente a ordem de calar-se. Transtornado, o diretor da Escola Normal segurou Cecília pela braço, tentando arrastá-la para fora da sala. As colegas de Cecília começaram a gritar e a protestar contra a violência, atraindo professores, estudantes e funcionários da Escola. Estava armada a confusão.
Este fato - que, a rigor, nunca deveria ter ocorrido - ultrapassou os muros da Escola Normal, transformando-se num incidente que mobilizou autoridades, imprensa e opinião pública. Bem verdade que, dadas às circunstâncias da época, o episódio não se resumia apenas a um entrevero entre um diretor arbitrário e uma estudante.
No fundo, o incidente entre Hans e Cecília pôs em evidência um erro político do prefeito Rivadávia Correia, que jamais deveria ter nomeado Hans Heilborn, um sujeito sabidamente truculento, para o cargo de diretor de um estabelecimento de ensino como a Escola Normal. Sobretudo no momento em que, na Europa, travava-se uma guerra provocada pelo militarismo alemão e, no Brasil, intelectuais, políticos, trabalhadores e estudantes desenvolviam, através da Liga Brasileira pelos Aliados, atividades organizadas contra o germanismo e a favor dos países aliados. Olavo Bilac, responsável indireto pelos acontecimentos da Escola Normal, era um dos mais ativos membros da Liga.
O incidente da Escola Normal, portanto, não foi um caso isolado. Ele retratava as contradições do campo intelectual da época, profundamente contaminado por preconceitos literários e morais (o ódio de Hans Heilborn contra Bilac era um exemplo disso) e grandemente influenciado pelos fatos europeus, que estimularam intenso sentimento antialemão. A violência de Hans contra Cecília, noves fora o acontecimento já em si deplorável, inflamou o antigermanismo dominante. Daí, a repercussão e os desdobramentos que teve.
O incidente da Escola Normal teve fim no dia 28 de junho quando, a pedido do prefeito Rivadávia Correia, Hans Heilborn pediu demissão. Para o seu lugar foi nomeado o acadêmico Afrânio Peixoto, professor da Faculdade de Medicina e autor de obras regionalistas, como A esfinge (1911), Maria Bonita (1914), Fruta do mato (1920) e Bugrinha (1922). Além da demissão de Hans Heilborn e da nomeação de Afrânio Peixoto, outras soluções foram também negociadas: Cecília Meireles e outras estudantes, tidas, segundo os documentos oficiais da época, como "líderes de uma insubordinação coletiva contra Hans Heilborn", foram inicialmente suspensas; depois, houve uma espécie de anistia e elas receberam "apenas" advertências por escrito do diretor da Instrução Pública, órgão equivalente ao da Secretaria de Educação do Distrito Federal.
Nos dezessete dias da crise, debateram-se muito os métodos "pedagógicos" de Hans Heilborn, que tanto desagradava alunos e professores. Durante a crise, estudantes (inclusive os da Faculdade de Medicina, que fizeram passeatas pelo centro do Rio de Janeiro) fizeram manifestações públicas e enterros simbólicos do prefeito Rivadávia Correia e de Hans Heilborn. Leitores indignados escreveram aos jornais, lamentando os acontecimentos que "maculam o tradicional estabelecimento de ensino". Professores, entre os quais Manoel Bomfim (que foi professor de pedagogia de Cecília), José Veríssimo, Sérvulo Lima e Francisco Carlos da Silva Cabrita, e diversos jornalistas publicaram artigos a respeito, principalmente no Jornal do Commércio e em O Século (onde despontava, como responsável pela cobertura do episódio, um jovem repórter e poeta chamado Orestes Barbosa, futuro autor das letras de "Chão de estrelas", “Suburbana”, ambas com Silvio Caldas, e “Positivismo”, com Noel Rosa).
Nos debates, os temas centrais eram a presença de Hans Heilborn na direção da Escola Normal e o espírito belicoso do germanismo e a guerra européia, entre outros tantos assuntos que, direta ou indiretamente, tinham a ver com o episódio.
(Imaginem a reação das autoridades - e de Hans Heilborn - se eles pudessem adivinhar que, no futuro, a menina Cecília Meireles viria a ser uma das figuras exponenciais da poesia brasileira!...).
Olavo Bilac - Poeta e jornalista, a quem Cecília Meirelles dedicava grande respeito e admiração.

domingo, 18 de setembro de 2011

O grande Pancetti

Li, ontem, um livrinho muito bom: "Pancetti", de Medeiros Lima (Rio de Janeiro, Ministério da Educação e Cultura - Serviço de Documentação, 1960). Livro raro, quase impossível de ser encontrado, eu o comprei num sebo quando da minha última ida ao Rio.

José Pancetti foi um dos principais pintores modernos do Brasil. Nasceu em Campinas, em 18 de junho de 1902. Faleceu no Rio de Janeiro, em 10 de fevereiro de 1958.

Antes de ser pintor, Pancetti foi pintor de paredes e marinheiro. Amava o mar. Como pintor, suas principais peças eram marinas, mas não exclusivamente as marinas formam sua obra: pintou pequenas cidades e lugarejos do interior (principalmente da Bahia), cenas do cotidiano popular.

Trecho do livro de Medeiros Lima:

"Arrebatado pela natureza, amando-a como um romântico e contemplativo, Pancetti fixou como ninguém a paisagem brasileira, suas pequenas cidades do interior, simples e decadentes, suas praias do litoral paulista de tons baixos, encoberto de brumas e frios, e a exaltação luminosa das regiões fluminenses. Por fim, deixa-se arrebatar pelo sensualismo plástico do litoral baiano, depois de haver pintado alternadamente as praias cheias de sol e de areia de Angra dos Reis, de Cabo Frio, de Mangaratiba, de Saquarema".

E mais:

"Não se pode falar muito seriamente de influências com relação à pintura de Pancetti". (...) "Pancetti atinge seus objetivos guiado por um sentimento instintivo, que o conduz à descoberta de uma expressão própria". (...) "Pancetti é moderno sem o saber e sem que disto se dê conta, pelo menos ao alçar seus primeiros voos". (,,,) "Pancetti é um instintivo, um emocional. Sua arte é, antes de tudo, trabalhada pelo sentimento, do qual resulta tudo mais. Nisto é sempre sincero, espontâneo, igual. Seu comportamento, sob muitos aspectos, nos faz lembrar os conselhos de Corot, quando escrevia: 'Que votre sentiment seul vous guide' [Que vosso sentimento seja seu único guia]".

Ao escreveu o "Guia do Passado" falei da morte de Pancetti. Quando o câncer já o consumia, internado no Hospital Central da Marinha, Pancetti escreveu um diário onde se podia ler esta tristeza:

"Passo o dia inteiro em repouso. Estando reduzido apenas a ossos, meu corpo não suporta nem o leito. Conto minutos e horas dos dias e das noites do meu martírio. Será que não há um meio, um gesto supremo de uma junta médica para pôr fim ao meu sofrimento? À noite, após a injeção, às 21 horas, apaguei a luz e fiquei olhando o céu estrelado".

Segue, abaixo, uma pequena mostra da obra de Pancetti.


Autorretrato


Lavadeiras do Abaeté


Natureza morta


Marina - Sem nome


Pescador

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Entrevista do velho professor do Penedo no Sem Censura

Assistam e curtam um programa sobre os 75 anos da Rádio Nacional. Saibam como era o principal veículo de divulgação cultural jamais criado no Brasil. Tudo que existe hoje nas televisões, foi criado na Rádio Nacional.
Vejam o programa e comprovem o que representou a Rádio Nacional na formação da identidade nacional.

sábado, 10 de setembro de 2011

Ronaldo Conde Aguiar no "Sem Censura"



Programa: Sem Censura
TV Brasil - 16 horas
Dia 13 de setembro (3ª feira)

* Programa dedicado à Rádio Nacional.
* Ronaldo Conde Aguiar falará sobre o seu último livro, "Guia do passado".
* E também sobre os seus livros anteriores: "Almanaque da Rádio Nacional" e "As Divas do Rádio Nacional".
* Estarão presentes Gerdal dos Santos, Daisy Lúcidi e Ademilde Fonseca.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Dona Dilma, a indecifrável

Dona Dilma tem uma particularidade. Quando discursa de improviso, ela nem sempre conclui um raciocínio. Às vezes, ela sequer termina uma frase. Em consequência, o pensamento dela paira sempre entre o dúbio e o indecifrável. A mensagem que pretende (ou não) transmitir chega aos ouvintes prenhe de hiatos, lacunas, vazios.


Um amigo me disse, sério, que talvez ela faça isso intencionalmente. Seria uma maneira de não se comprometer a ideias, propostas ou compromissos. Os políticos são assim mesmo, pontificou esse amigo meu. Será? Não creio. Acho que é a obscuridade do discurso da Dona Dilma nasce precisamente da sua dificuldade de entender o momento histórico que o mundo vive - marcado por uma crise econômico-financeira braba (que apenas se avizinha) e mudanças políticas complicadas. Dona Dilma não é política como seu antecessor e apenas estudou economia, mas não é economista. Não sei se me entendem.
Ontem (seis de setembro) ela ocupou uma rede nacional (rádio e televisão) e disse, pelo menos, três coisas – digamos – que confirmam o meu diagnóstico:
1 – Ela disse que para enfrentar a carência de recursos humanos altamente qualificados, que afeta as indústrias e, em consequência, o próprio esforço de desenvolvimento brasileiro, o governo criará mais quatro universidades federais.
Dona Dilma demonstrou possuir uma visão simplista de um problema sério. Não basta criar universidades para que recursos humanos altamente qualificados brotem como capim. É preciso tempo, muito investimento em bibliotecas atualizadas, laboratórios, equipamentos e, principalmente, em professores capacitados. Uma universidade leva tempo para amadurecer.
A verdade é que Dona Dilma deveria criar um Programa de Formação de Recursos Humanos Altamente Qualificados em Áreas Estratégicas nas melhores universidades brasileiras, ou seja, nas universidades em condições de formar profissionais capacitados.
Criar uma universidade em Borogodó da Serra, outra em Tapioca do Sertão, jamais resolverá a carência de gente qualificada, pois esta carência é de hoje, isto é, afeta hoje a economia brasileira.
2 – Em seu discurso, Dona Dilma nos informou (às 19 horas) que a inflação brasileira estava controlada.
São os azares dos discursos gravados com antecedência, pois, pela manhã, o IBGE tinha informado ao grande público brasileiro que a taxa inflação tinha batido recorde.
Em 12 meses, a taxa de inflação ficou em 7,23%, muito longe da meta de 4,5% do governo. É claro que a ameaça da inflação sair do controle é longínqua, mas não se deve dar vacilo algum. Todo cuidado é pouco, como diria Conselheiro Acácio, o sábio.
3 – Disse ainda Dona Dilma que o governo não permitirá que produtos importados, principalmente da China, prejudiquem as indústrias brasileiras.
A elevação de tarifas de importação de produtos chineses apenas vai elevar o preço desses produtos para o consumidor. Os chineses dominam hoje diversos setores industriais no Brasil, como o de sapatos, porcelanato, bicicletas, brinquedos, pneus – e vai por aí afora.
Vi, recentemente, uma entrevista de um empresário do ramo de guarda-chuvas. Ele dizia, por exemplo, que alguns anos atrás ele exportava seus produtos para dez países. Hoje, não só deixou de exportar como perdeu parte do mercado interno brasileiro. Segundo ele, foi obrigado a demitir dois terços dos seus funcionários.
E há outra questão a considerar. A economia brasileira é hoje amarrada às exportações para a China, especialmente de soja e minério de ferro, as chamadas commodities, que no meu tempo de estudante eram chamadas de matérias-primas. E se a China não gostar da elevação de tarefas dos seus produtos importados – e decidir replicar?
Enquanto isso, Dona Dilma nos diz que não permitirá que isso aconteça. Podemos dormir em paz, portanto.
***
Orquestra Juvenil da Bahia
E para fugir da aridez da nota acima, vejam que bela apresentação da Orquestra Juvenil da Bahia. Ela executa Rhapsody in Blue, de George Gershwin. Com regência e solo do maestro Ricardo Castro, o concerto foi realizado em 18 de julho de 2010, no Auditório Cláudio Santoro, em Campos do Jordão, São Paulo.
O velho professor do Penedo recomenda que ouçam até o fim.


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domingo, 4 de setembro de 2011

A programação televisiva e o comportamento do expectador

Introdução - Televisão, ou melhor, a programação televisiva educa ou deseduca? A programação televisiva influencia ou não o comportamento do expectador? A programação televisiva cria maneiras de agir, de ser, de se postar diante do mundo e das pessoas? A programação televisiva é capaz de criar hábitos, cacoetes, gostos, idiossincrasias, os quais, num processo inconsciente, são absorvidos pelo expectador?
Se você, meu caro leitor, pensa que não, explique ao velho professor do Penedo o seguinte: porque a programação televisiva é tão carregada em anúncios comerciais? Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos mostrou que uma criança aos 12 anos terá assistido mais de 100 mil anúncios! Quantas ela verá ao longo da vida? Isto influi ou não na sua formação, nos seus gostos, na sua cultura?
Dito de outra maneira: a propaganda televisiva (como as demais propagandas midiáticas) cria ou não no expectador a “vontade” de possuir um carro (aquele carro!), de beber uma cerveja ou um refrigerante (aquela cerveja, aquele refrigerante!), de vestir uma calça ou uma camisa de marca (aquela marca!)?
Este velho professor do Penedo acredita que sim. E é da opinião que a programação televisiva influencia e manipula o expectador, fazendo-o gostar disto ou daquilo, a repetir certas expressões (ou bordões) e a amar ou desprezar determinados homens públicos.
A chamada liberdade de escolha, portanto, não é absoluta, mas relativa e condicionada.
Há um depoimento do escritor Antônio Cândido que diz tudo. Certa ocasião, viajando pelo interior de Goiás com Caio Prado Júnior, ele ouviu uma mocinha do lugar dizer ao telefone a palavra “paixão” ao se dirigir ao seu interlocutor. “Sabe, paixão, fui ontem ao cinema”. “Pois é, paixão, o filme era sensacional”. “Até manhã, paixão”! “Outro para você, paixão”!
Antônio Cândido riu muito, pois a mocinha nada mais fazia que repetir o bordão (“paixão”) que uma personagem da novela da Globo usava quando contracenava.
Pesquisa – O velho professor do Penedo não acredita que a origem da violência seja a pobreza. É claro que ela contribui, mas nada é absoluto na sociedade nem, tampouco, os fenômenos sociais são o resultado de uma mera relação de causa e efeito. A violência é um produto de variados fatores, que agem de maneira diversa e em determinadas circunstâncias.
Os programas televisivos, as novelas, filmes e programas humorísticos não são responsáveis, em si, pela violência em nossa sociedade, mas eles contribuem, inclusive por que, ao transmitir violência, os programas televisivos “banalizam” a violência.
Certa ocasião, durante uma aula, o velho professor do Penedo perguntou a uma aluna: “quantos assassinatos seu filho já assistiu?” A aluna levou um susto e disse: “Nenhum. Ele só tem doze anos”. Eu insisti: “Ele não vê televisão?” A aluna não entendeu e eu expliquei o motivo da minha pergunta.
Em 1992, no período compreendido entre os dias 5 e 11 de janeiro, uma equipe de estudantes sentou-se diante da televisão (TV Globo) e assistiu 77 programas (filmes, seriados, novelas, humorísticos, variedades, noticiários e programas infantis). Foram, ao todo, 114 horas e 33 minutos de programas.
A pesquisa apontou que nos seis dias de pesquisas foram mostrados:
·         244 homicídios (tentados ou consumados);
·         397 agressões;
·         190 ameaças de morte ou de agressão;
·         11 sequestros, dos quais dois resultaram na morte dos sequestrados;
·         5 crimes sexuais com violência ou ameaça;
·         26 crimes sexuais de sedução, entre os quais 8 de menores;
·         60 casos de condução de veículos com perigo para terceiros ou sob efeito de drogas ou álcool;
·         52 casos de formação de quadrilhas;
·         14 roubos;
·         11 furtos;
·         5 estelionatos;
·         E mais 137 outros, entre os quais: tortura (12), corrupção (4), crimes ambientais (3), apologia do crime (2), suicídios (3).
A pesquisa apontou ainda outros detalhes:
·         Cenas de violência nos desenhos animados: 58 cenas (em média) por dia;
·         150 cenas de violência nas novelas, o que significa 11,2 cenas (em média) por dia;
·         Programação humorística: foram vistas 74 cenas de violência por semana (principalmente agressões, o que dá uma média diária de 10,5 cenas de violência).
Outra pesquisa, essa realizada nos Estados Unidos, nos mostra que um jovem do 7º ano do 1º Ciclo terá assistido, em média:
·         8.000 assassinatos pela TV (filmes e demais programas);
·         100.000 atos de violência
É evidente – é bom repetir – que seria uma simplificação sem tamanho atribuir a violência social à programação televisiva. Mas me parece certo que uma programação como a que foi detectada na pesquisa, no mínimo, “banaliza” a violência, tornando-a aos olhos das crianças, jovens e adolescentes algo natural.
Da mesma forma que a propaganda da cerveja não significa que todos irão tomar cerveja, a violência estampada na programação televisiva não induz necessariamente os jovens e os adolescentes ao crime. A programação televisa apenas transforma a violência em algo aceito como natural, banal, corriqueiro.
Tal qual é natural e banal saborear uma boa cerveja.
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Para concluir o resultado de uma pesquisa realizada no Brasil, que compara o tempo médio que o jovem brasileiro permanece diante da TV e o tempo médio de leitura desse mesmo jovem.
Tempo médio diante da TV:
·         3 horas por dia, o que equivale a:
·         1.095 horas por ano, o que equivale a:
·         45,6 dias por ano.
·         Se este jovem viver 75 anos terá passado 9,4 anos diante da TV.
·         A este tempo, deve-se acrescentar o tempo que o jovem passa diante do computador.
Tempo médio de leitura:
·         4 minutos por dia, o que equivale a:
·         1460 minutos por ano, o que equivale a:
·         24,3 horas por ano ou um dia por ano.
·         Se este jovem viver 75 anos terá lido na vida apenas por 75 dias (dois meses e meia).
Ver tanta televisão e ler tão pouco não pode fazer bem.
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