Por do sol em Penedo

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domingo, 28 de agosto de 2011

Gol de Romário na Câmara dos Deputados
Romário (PSB-RJ) fez, no último dia 22 de agosto, um excelente discurso na Câmara dos Deputados, sobre os impactos das obras da Copa e das Olimpíadas na questão da moradia. Foi um discurso firme, bem fundamentado e humano, que deve ser registrado. Um discurso curto, mas que diz tudo Não só foi um golaço do Baixinho, como, principalmente, deveria servir de exemplo aos, segundo disse o Lula, mais de 300 picaretas do Congresso. Dá-lhe, Romário!
O texto do discurso do Romário segue abaixo, na íntegra:

Senhor Presidente,
Nobres colegas:
Quem me conhece, quem acompanha minha atuação como parlamentar, sabe que eu, como milhões de brasileiros, estou na torcida para que o país realize da melhor maneira possível a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016.
É por isso, inclusive, que tenho demonstrado preocupação e cobrado publicamente explicações das autoridades para os atrasos nos preparativos para esses eventos.
Por outro lado, assim como vários colegas da Comissão de Turismo e Desporto, tenho procurado chamar a atenção para a necessidade de que esse processo seja conduzido com absoluta transparência, com espírito cívico, e também para que não deixemos em momento algum de ter em mente o legado desses eventos esportivos, isto é, o que vai ficar para a nossa população depois que o circo for embora.
Por isso, Senhor Presidente, é que venho acompanhando com apreensão as notícias sobre o modo como têm sido realizadas, em alguns casos, as desapropriações para a realização das obras. Há denúncias e queixas sobre falta de transparência, falta de diálogo e de negociação com as comunidades afetadas, no Rio de Janeiro e em diversas capitais.
Há denúncias também de truculência por parte dos agentes públicos.
Isso é inadmissível, Senhor Presidente, e penso que esta Casa precisa apurar essas informações, debater esse tema.
Não podemos nos omitir.
Diante desse quadro, nosso país foi objeto de um estudo das Nações Unidas, e a relatora especial daquela Organização chegou a sugerir que as desapropriações sejam interrompidas até que as autoridades garantam a devida transparência dessas negociações e ações de despejo.
Um dos problemas apontados se refere ao baixo valor das indenizações.
Ora, nós sabemos que o mercado imobiliário está aquecido em todo o Brasil, em especial nas áreas que sediarão essas competições.
Assim, o pagamento de indenizações insuficientes pode resultar em pessoas desabrigadas ou na formação de novas favelas.
Com certeza, não é esse o legado que queremos.
Não queremos que esses eventos signifiquem precarização das condições de vida da nossa população, mas sim o contrário!
Também não podemos admitir, sob qualquer pretexto, que nossos cidadãos sejam surpreendidos por retroescavadeiras que aparecem de repente para desalojá-los, destruir suas casas, como acontece na Palestina ocupada.
E, como frisou a senhora Raquel Rolnik, relatora da ONU, “remoções têm que ser chave a chave”. Ou seja, morador só sai quando receber a chave da casa nova.
É assim que tem que ser.
Tenho confiança de que a presidente Dilma deseja que os prazos dos preparativos para a Copa e as Olimpíadas sejam cumpridos, mas não permitirá que isso seja feito atropelando a Lei e os direitos das pessoas, comprometendo o futuro das nossas cidades. Espero que ela cuide desse tema com carinho.
É hora, Senhor Presidente, nobres colegas, de mostrarmos ao mundo que o Brasil realiza eventos extraordinários, sem faltar ao respeito com a sua população.
Era o que tinha a dizer. Muito obrigado.



Celly Campelo, a menina bonita
Falo de Celly Campelo no meu último livro, “Guia do passado”. Falo da moça bonita que, no auge do sucesso, abandonou a carreira, casou-se e foi cuidar da vida e dos filhos. Celly foi um baita sucesso nos anos 1950, Quem não se lembra das músicas “Estúpido Cupido”, “Lacinhos cor-de-rosa”, “Tammy”, “Broto legal” e “Túnel do amor”?
Celly Campelo faleceu em 2003 de câncer. No vídeo abaixo, Celly Campelo canta “Tammy”, uma das músicas mais belas do seu repertório. A canção “Tammy” foi música tema do filme “Tammy and the Bachelor” (A flor do pântano), e quem a interpretou primeiro foi a atriz Debbie Reynolds.



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A bela Lyris Castellani
Em 28 de janeiro de 1987, Caio Fernando Abreu publicou no Caderno 2 de O Estado de S. Paulo a crônica (abaixo) sobre a atriz e dançarina Lyris Castellani, que no período 1957-1963 atuou e dançou em nove filmes, entre os quais Absolutamente certo (1957), Fronteiras do inferno (1959), A morte comanda o cangaço (1961) e A ilha (1963).
Lyris Castellani nasceu na cidade de São Paulo, em 22 de novembro de 1934, e seu verdadeiro nome era Liris Cecília da Costa e Silva. No meu “Guia do passado” coloco Lyris na minha lista das dez mais belas do Brasil nos anos 1950. Lyris desapareceu em 1961. Ninguém nunca mais soube dela. Onde esteve? Onde estará?
Leiam a crônica de Caio Fernando Abreu – e depois se regalem com o desempenho e a bela estampa (e coxas!) de Lyris no papel da Zezé (música de Humberto Teixeira e Caribé da Rocha) ao som das vozes afinadas e homogêneas do Trio Irakitan.
Onde andará Lyris Castellani?
Caio Fernando Abreu
Jamais esquecerei Lyris Castellani. Mas eu tinha esquecido que jamais esqueceria Lyris Castellani. Só há duas semanas, comecei a lembrar outra vez. Deve ter sido provocado por uma crônica de Marcos Rey, perguntando por Elvira Pagã, mas certamente continuou com um encontro casual com Wladir Dupont. Há alguns anos, num jantar, conversando sobre essas deusas misteriosamente desaparecidas – entre mais de dez pessoas (todas versadas nesse ramo da cultura inútil), só o velho e bom Wladir se lembrava dela. A minha deusa para sempre preferida: Lyris Castellani.
Não que tivéssemos tocado no assunto, Wladir e eu. Nem uma palavra. Deixei-o na chuva e saí pensando em Lyris – onde andará? Onde andará? – assim, numa voragem vertiginosa. Eu precisava saber se havia algo no arquivo do jornal sobre ela: ridículo escrever sobre Lyris sem uma foto. E havia: nem uma linha de texto, mas quatro fotos preciosas – esta escolhida a dedo -, embora nenhuma delas seja daquelas que eu recortava e colecionava, com paixão e estranheza, entre os 12 e os 15 anos. E lá se vão tantos, tantos. De roldão, sem Lyris.
Jamais vou lembrar exatamente da primeira vez que a vi. Mas deve ter sido nas páginas de O Cruzeiro ou Cinelândia. O que Lyris tinha para me enlouquecer tanto? Eu conto, embora doa: tinha olhos verdes profundo-abissais, tinha lábios carnudos de pecado, tinha a cintura fina de vespa e – acima de tudo, antes de nada – Lyris tinha COXAS. Ah, que coxas! Tão grossas e sólidas que merecem este detestável ponto de exclamação que acabo de usar. As coxas de Lyris eram tão monumentais que, aos poucos, consegui iniciar e seduzir meu irmão Gringo e meu primo Beco nos mistérios de Lyris. E Lyris deixou de ser nome próprio para se tornar substantivo, sinônimo de: coxas. Quando a gente espiava um par especial delas, nos comunicávamos em código: “Que Lyris, heim?”
Aos poucos, descobri tudo sobre ela. Lyris era bailarina de O Beco, em São Paulo (e eu lá, nos cafundós da fronteira com a Argentina!), depois foi lançada por Walter Hugo Khoury como atriz séria em A Ilha, ao lado de Eva Wilma e Luigi Picchi, filmado em Bertioga. Andei à cata do filme durante anos. E valeu o encontro: guardo gravada a fogo na memória a imagem de Lyris encostada numa rocha áspera. Com as coxas à mostra. Aquelas coxas. Lembro-me dela num pequeno papel, em Fronteiras do Inferno, tropical e demoníaca, e de uma cena forte de estupro num filme de cangaço (seria A Morte Comanda o Cangaço?). Em todos eles: olhos verdes fundos como o mar, cintura que se podia fechar numa mão. E coxas. Coxas de coluna grega, coxas morenas de mel e mal, coxas alucinantes onde qualquer um, fácil, poderia perder-se para sempre. Como Ulisses perdeu-se entre as sereias. Como eu me perdi até hoje.
Nunca mais soube dela. Nem Abelardo ou Laurinha Figueiredo souberam informar. Posso imaginá-la casada com um conde austríaco, morando em Viena. Ou numa casinha com quintal, quem sabe em Vila Mariana, entre roseiras. Se quero me doer, penso nela empapuçando-se de gim pelas bocas da vida, com um recorte amarelado de jornal na bolsa, entre vidros de diempax. Que morta não estará, pois Lyris é imortal. Mas prefiro imaginá-la feliz: as coxas de Lyris eram a garantia mais segura de um futuro daquele tipo feliz para sempre. Que certamente ela teve.
Mas eu a quero de volta. De alguma forma irracional, como se quer o tempo que se foi. Por favor – como Drummond procurava Luísa Porto, eu procuro Lyris Castellani. Procurem, procurem. Até achar. Só não me digam nada se, por ventura, ela teve um destino infeliz. Então prefiro não saber. Melhor guarda-la até o momento de minha morte para sempre assim como a tive, tantas vergonhosas vezes, na minha adolescência. Escrevam-me, me telefonem, me deem notícias de Lyris Castellani. Se por acaso cruzarem com ela na feira, no elevador, no bar da esquina ou no Gallery, digam a Lyris que mando meu mais carinhoso beijo. E que jamais a esquecerei. Domingo último, enlouquecido, casei com ela no altar criado por Mira Haar, em A Trama do Gosto. Casei três vezes. Casaria dez, casaria cem, casaria mil vezes.




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Febeapá - Festival de besteira que assola o país, vulgo Bananão (I).
Sérgio Porto, o inesquecível Stanislaw Ponte Preta, criou o Febeapá (Festival de besteiras que assola o país), a partir das besteiras ditas por políticos, governantes, milicos, estrelas, astros, famosos ou não. Sérgio Porto morreu, mas o besteirol pátrio continuou mais firme e, digamos, mais denso e constante do que nunca. Vejam:
O comentarista Neto, da Band, afirmou que um determinado jogador tem tanto fôlego, mas tanto, que “parece ter dois pulmões”. Ao ser chamado a atenção da besteira que disse, Neto explicou: “Não sou médico”.
É preciso não esquecer também aquela do Lula, que se sente em condições e no direito de falar sobre tudo, principalmente sobre o que não entende - o que não é pouco. Ao falar sobre a poluição brasileira, Lula pontificou:
“Se a Terra fosse quadrada e não girasse a poluição do hemisfério norte ficaria por lá. Mas como a Terra é redonda e gira a poluição do hemisfério norte escorrega até o hemisfério sul”.
Explicação notável, não?
Sérgio Porto/Stanislaw Ponte Preta


 Sérgio Porto/Stanislaw Ponte Preta

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