O Velhote do Penedo

O Velhote do Penedo
O Velho Professor do Penedo em plena labuta! Vida difícil, esta!

sábado, 30 de junho de 2012

Textos que dizem tudo (2)



Embora não tenha escrito jamais na vida um poeminha que seja, o Velhote do Penedo lê muita poesia. Lê e coleciona preciosidades, como as que se seguem. Leiam e curtam:


1. Elegias, de Mauro Mota.

Longa rua distante de subúrbio,

Velha e comprida rua não violada pelos prefeitos,

Passo sobre ti suavemente neste fim de tarde de domingo

2. A ladeira da memória, de José Geraldo Vieira.

Não existe nunca solidão completa a não ser na morte.

3. Vozes da noite, de Augusto Frederico Schmidt.

Vozes da noite, vozes da noite...

Não as vozes do mar, monótonas, terríveis;

Não as vozes que vêm das distâncias

- Sombras dos grandes ruídos apagados...

Vozes da noite, vozes da noite...

Vozes que estais em mim, chamando

O meu inquieto e abandonado sonho.

Vozes da noite, vozes da noite...

4. Recordações do escrivão Isaias Caminha, de Lima Barreto.

A tristeza, a compressão e a desigualdade de nível mental do meio familiar, agiram sobre mim de um modo curioso: deram-me anseios de inteligência.

5. Nunca mais, de Dorival Caymmi.

Uma vez me pediste sorrindo, eu voltei.

Outra vez me pediste chorando, eu voltei.

Mas agora eu não quero e nem posso,

Nunca mais...

O que tu me fizeste, amor, foi demais.

6. Eu sonhei que tu estavas tão linda, de Lamartine Babo e Francisco Mattoso.

Eu sonhei que tu estavas tão linda...

Numa festa de raro esplendor

Teu vestido de baile... Lembro ainda:

Era branco, todo branco, meu amor!

7. Fita amarela, de Noel Rosa.

Quando eu morrer, não quero choro, nem vela,

Quero uma fita amarela,

Gravada com o nome dela.

8. Coisas do mundo, minha nêga, de Paulinho da Viola.

As coisas estão no mundo,

Só que eu preciso aprender.

9. Quando eu me chamar saudade, de Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito.

Se alguém quiser fazer por mim

Que faça agora.

10. Não diga não, de Tito Madi.

Não diga não

Não me deixe sozinho

Sofro demais

Longe do seu carinho




quinta-feira, 28 de junho de 2012

As angústias do velhote do Penedo (2)

O texto abaixo é do jornalista Augusto Nunes. O velhote do Penedo discorda de várias análises e comentários do jornalista, mas julga a matéria que se segue extremamente elucidativa. Tem a ver com o julgamento dos "mensaleiros" e o comportamento do juiz do STF, Ricardo Lewandowski, encarregado de fornecer aos seus pares um parecer a respeito do processo do "mensalão".
Leiam, meditem. O velhote do Penedo leu e ficou mais indignado com o país que temos.

*****

O ministro pouparia as tripas do risco de enfarte se não tentasse contentar o padrinho

O ministro Ricardo Lewandowski demorou mais de seis meses para revisar o relatório de Joaquim Barbosa sobre o processo, iniciado há cinco anos, que trata de um escândalo ocorrido há sete. Em países sérios, o doutor teria entregado a encomenda na calada da noite e pela porta dos fundos, para não ter de explicar a lentidão inexplicável. Como estamos no Brasil, pendurou-se num palanque imaginário, caprichou na pose de magistrado exemplar e cumprimentou-se pela performance.
“É o voto-revisor mais curto da história do Supremo Tribunal Federal”, fantasiou. “A média para um réu é de seis meses”. Se é assim, como registrou o comentário de 1 minuto para o site de VEJA, Lewandowski precisaria de 19 anos para resolver o que fazer com cada um dos 38 envolvidos. Para evitar que fosse decidido só em 2031 o destino dos pecadores sobreviventes, o ministro jura que andou trabalhando 20 horas por dia.
Pelo menos não lhe faltou companhia, informa a folha de pagamento do Supremo. Além do chefe de gabinete, do recepcionista e de três agentes de segurança, a pequena multidão de funcionários subordinados ao ministro inclui pelo menos 17 analistas judiciários, 4 técnicos judiciários, 3 técnicos em secretariado, 1 procurador federal e 1 assistente administrativo. “Eu fiz das tripas coração para respeitar o que foi estabelecido pela Suprema Corte”, elogiou-se Lewandowski.
Não fez mais que a obrigação ─ com um dia de atraso. E teria poupado as tripas do risco de enfarte se não tivesse esperado tanto tempo para colocar no papel o que está pronto na cabeça desde o dia em que chegou ao Supremo. “Nenhum ministro sofreu tantas pressões”, lamuriou-se. O presidente do STF, Ayres Britto, limitou-se a cobrar respeito ao cronograma combinado. Os brasileiros decentes limitaram-se a cobrar respeito à palavra empenhada. São cobranças legítimas.
Nada a ver com as pressões criminosas feitas pelo padrinho Lula. No começo do ano, como revelou na desastrada conversa com o ministro Gilmar Mendes, o ex-presidente que se acha inimputável visitou o afilhado no condomínio em São Bernardo para pedir-lhe que retardasse o julgamento do mensalão até 2013. Ou, se possível, até o século 22. A reação do país que presta e as ponderações dos colegas menos insensatos dissuadiram Lewandowski de atender ao pedido.
Terá de esperar a hora da votação para mostrar que sabe ser grato. Como sabe até o cabide em que pendura a toga, o ministro vai absolver os peixes graúdos ─ “por falta de provas” ─ e distribuir castigos de mãe entre meia dúzia de alevinos. Isso se sentir a faca roçando o pescoço. Caso lhe pareça segura a distância que separa a sede do STF do mundo real, poderá até decretar a absolvição póstuma de José Janene.
E talvez se anime a proclamar a inocência do Silvio Pereira, fixando em seguida a indenização que o Estado tem de pagar ao ex-secretário geral do PT. Mensaleiro juramentado, Silvinho Land Rover se submeteu a um período de trabalhos comunitários em troca da exclusão do processo. O que torna o caso especialmente intrigante é que foi o acusado quem propôs o acordo. Se os parceiros de quadrilha escaparem por falta de provas, Silvinho terá purgado pecados que não cometeu. Aliás, nem existiram.
Nessa hipótese, o mundo será apresentado à mais recente maravilha da fauna brasileira: a vítima voluntária de um grave erro judicial.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Um pouco de música

Tarde em Itapoã


Antes das notas abaixo, um pouco de música para alegrar e adoçar a vida. Hoje temos Toquinho e Gilberto Gil cantando, em dueto, "Tarde em Itapoã", do próprio Toquinho e de Vinicius de Moraes. Em meio a música, belas imagens de Salvador, onde primas queridas do velho professor do Penedo residem. Beijos saudosos e amorosos para as primas queridas.




As angústias do velhote do Penedo


Y así pasan los días (6)

1 – Lula passou a vida dizendo ao seu distinto público que Maluf era ladrão. Disse mais: disse que Maluf era o símbolo da pouca-vergonha nacional. E foi mais longe: “O Maluf é que deveria estar atrás das grades e condenado à prisão perpétua por causa da roubalheira na prefeitura de São Paulo”. Maluf, claro, não deixava por menos: “Lula é uma ave de rapina que não trabalha há 15 anos e não explica como vive”. Hoje, sabemos, Lula e Maluf são aliados políticos e fraternais: e nesse troca-troca, o candidato de Lula, Haddad, ganhou 90 segundos na televisão e Maluf ganhou cargos no governo da “tia” Dilma. É assim a política brasileira. Vejam abaixo a cena histórica.


 
2 – Golpe de Estado no Paraguai! Só de pensar nisso, tremo. Sob o pretexto de que Lugo não tinha condições de governar o país, forças oligárquicas atrasadas e criminosas, filhotes da ditadura de Alfredo Stroessner, que dominou o país por 35 anos (1954 a 1989), votaram sumariamente o impeachment do presidente. Um processo sumário que durou 29 horas e não ofereceu a Lugo o direito de defesa. Hoje, golpe no Paraguai; amanhã, onde? O governo da “tia” Dilma está em cima do muro!

3 – Fim melancólico da reunião Rio+20. A um custo incalculável, a reunião produziu um documento borocochô, que não diz nada nem propõe coisa alguma. Cheio de boas intenções, o documento não define nada, não estabelece metas, não diz de onde virão os recursos necessários. E o pobre secretário-geral da ONU? Na véspera, ele criticou os resultados do encontro. No dia seguinte, saiu em defesa do relatório, elogiando os resultados do encontro. Bem, entre a véspera e o dia seguinte, a criatura deve ter levado uma tremenda esculhambação dos representantes dos países ricos, o que o levou a mudar opinião.

4 – Deu na coluna do Elio Gaspari: “Um curioso recebeu duas estatísticas dos inscritos para a nova prova do Enem. A conta do Inep, que organiza o exame, informava que havia 6.497.466 inscritos. A conta do MEC dava outro número: 6.495.454. Não batia. Ele teve um palpite e subtraiu 2012. Bingo. Haviam somado o ano”. Nada dá certo no MEC da “tia” Dilma.
5 – Grande Erundida! Diante da confraternização Lula-Maluf, ela desistiu de ser vice de Haddad. Digna Erundina! Quando veja figuras como Erundina, Pedro Simon, Reguffe, Jarbas Vasconcellos, e alguns outros, chego a pensar que há solução na vida política brasileira.

6 - Escrevo estas notas na segunda-feira, dia 25 de junho de 2012. Amanhã vou assistir uma defesa de tese (doutorado) sobre a transposição do Rio São Francisco, um dos maiores absurdos que se comete no Brasil.

sábado, 16 de junho de 2012

O grande Machado e o pequeno Guia


O grande Machado 

O velho professor do Penedo já escreveu aqui sobre o escritor Otto Maria Carpeaux, austríaco, que chegou ao Brasil em 1940 e por essas bandas ficou até 1978, Foi uma das figuras mais extraordinárias que o velhote do Penedo conheceu – e olha que o velhote conheceu muita gente brilhante, como Álvaro Vieira Pinto, Darcy Ribeiro, Edmundo Moniz, Manoel Maurício, Joel Rufino dos Santos (ainda vivo e com saúde, graças aos orixás!), entre outros. Carpeaux escreveu uma obra notável, onde se destaca a “História da literatura ocidental”, recentemente reeditada pela Leya. Da qual, aliás, foi retirado o texto abaixo, que o velhote oferece aos seus amigos.

Carpeaux dizia sempre que ao vir para o Brasil, fugindo da barbárie nazista, ficava imaginando que país seria o nosso “país tropical”, a respeito do qual pouco, quase nada, sabia. Ele imaginou tudo, mas não imaginou nunca que no Brasil havia um escritor como Machado de Assis, tão grande, universal e atemporal.




Machado de Assis, o maior escritor da literatura brasileira


Otto Maria Carpeaux


Machado de Assis, o maior escritor da literatura brasileira, não é exótico em relação à Inglaterra, e sim em relação ao Brasil. O caso é enigmático: um mulato de origens proletárias, autodidata, torna-se o escritor mais requintado da sua literatura, espírito cheio de arrière-pensées, que exprimiu menos em versos parnasianos do que em romances meio satíricos à maneira de Thackeray.

Em Machado de Assis havia várias influências estrangeiras, e são justamente as influências inglesas que o distinguem dos seus patrícios, em geral afrancesados: Swift e Sterne, sobretudo. Mas influências não explicam o gênio. Machado de Assis também tem algo em comum com Jane Austen, que não conhecia, provavelmente. A sua formação talvez fosse mais francesa do que aquelas influências deixam entrever. Dos moralistes franceses provém a sua desconfiança extrema com respeito à honestidade dos motivos dos atos humanos – a sua psicologia é, em geral, a de La Rochefoucauld; parece ter conhecido Leopardi – menos o poeta do que o pensador das Operette morali – ao qual o ligavam o epicureísmo, no sentido grego da palavra, e o cepticismo niilista em face do universo; leituras de Schopenhauer fortaleceram-lhe a visão negra e quase demoníaca dos homens e das coisas; mas sempre sabia exprimir-se com a urbanidade reservada e irônica de um “homme de lettres” do século XVIII. Tudo isso parece incrível num mulato autodidata do Rio de Janeiro semicolonial da época.
Contudo, podem-se alegar, além da particularidade do gênio que resiste à análise, algumas razões de ordem política e econômica: o Império do Brasil de 1880 era semicolônia da Inglaterra vitoriana. Machado de Assis, proletário e “half-breed”, alto funcionário e presidente de uma Academia de Letras, é um grande escritor vitoriano. As Memórias Póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba e Dom Casmurro não têm que recear a comparação com Thackeray; falhas de coerência na composição novelística, que uma crítica de formação francesa apontaria, não são defeitos tão graves em romances de tipo inglês, se bem que em língua portuguesa.
O sentido de forma latino do mulato latinizado revelou-se melhor nos contos. “O Alienista”, “Noite de Almirante”, “Missa do Galo”, “O Espelho” são espécimes magníficos de um gênero que esteve, aliás, mal representado na literatura inglesa do século XIX. Há quem goste dos versos de Machado de Assis; mas a sua verdadeira poesia está antes na atmosfera, meio irônica, meio fúnebre, que envolve os berços e os leitos de morte dos seus personagens; até uma crônica sobre o “Velho Senado” acaba com as palavras resignadas e maliciosas: “Se valesse a pena saber o nome do cemitério, iria eu catá-lo, mas não vale; todos os cemitérios se parecem.” O humorista céptico “só sabia olhar a vida sub specie mortis”, e por meio desse “só” ele superou as limitações vitorianas, tornando-se atual para todos os tempos. Histórias sem Data chama-se um volume de contos seus, e “sem data” é a sua obra inteira.




História da Literatura Ocidental, Otto Maria Carpeaux. Parte VIII- A época da classe média, Capítulo I - Literatura Burguesa. Ed. Leya, 2011.



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O pequeno Guia


O velho professor do Penedo acha que o Brasil vive um dos mais absurdos e equivocados períodos da sua história. O Brasil vive a doce ilusão de um desenvolvimento, que a rigor não alterou as velhas estruturas arcaicas do país. Crescemos, é verdade, em função de uma conjuntura favorável, que, desde 2009, sofreu uma perigosa modificação: a conjuntura atual é desfavorável e o que aparece no horizonte é uma formidável crise, que nos engolfará.
Recentemente postei aqui no Penedo uma fala do velhote num encontro patrocinado pelo PDT. Esta semana, os jornais publicaram estudo da Cepal, Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe, que prevê que o PIB brasileira crescerá, em 2012, apenas 2,7%, o que nos coloca acima apenas de El Salvador e Paraguai. Sabe-se ainda que a estratégia de aumentar o consumo interno, bolado por “tia” Dilma e “mestre” Mantega, deu chabu. O brasileiro, já endividado até o gorgomilho, não tem mais como consumir – ao menos no nível esperado pelas autoridades brasileiras.
Do ponto de vista político, vamos muito mal. Quem acompanhou o dia-a-dia da CPI pôde assistir o espetáculo degradante dos nossos políticos. O julgamento do mensalão vem aí.
Economia em crise e política degenerada, qual é o nosso futuro? O velhote do professor treme só de imaginar.
O artigo abaixo, do professor Marco Antonio Villa, foi publicado hoje, 16 de junho de 2012, no Estado de S. Paulo. Há alguns exageros, mas o artigo realmente traça um retrato realista do “Nosso Guia Genial”.  



DOM SEBASTIÃO VOLTOU

Marco Antonio Villa - O Estado de S.Paulo

Luiz Inácio Lula da Silva tem como princípio não ter princípio, tanto moral, ético ou político. O importante, para ele, é obter algum tipo de vantagem. Construiu a sua carreira sindical e política dessa forma. E, pior, deu certo. Claro que isso só foi possível porque o Brasil não teve - e não tem - uma cultura política democrática. Somente quem não conhece a carreira do ex-presidente pode ter ficado surpreso com suas últimas ações. Ele é, ao longo dos últimos 40 anos, useiro e vezeiro destas formas, vamos dizer, pouco republicanas de fazer política.

Quando apareceu para a vida sindical, em 1975, ao assumir a presidência do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, desprezou todo o passado de lutas operárias do ABC. Nos discursos e nas entrevistas, reforçou a falácia de que tudo tinha começado com ele. Antes dele, nada havia. E, se algo existiu, não teve importância. Ignorou (e humilhou) a memória dos operários que corajosamente enfrentaram - só para ficar na Primeira República - os patrões e a violência arbitrária do Estado em 1905, 1906, 1917 e 1919, entre tantas greves, e que tiveram muitos dos seus líderes deportados do País.

No campo propriamente da política, a eleição, em 1947, de Armando Mazzo, comunista, prefeito de Santo André, foi irrelevante. Isso porque teria sido Lula o primeiro dirigente autêntico dos trabalhadores e o seu partido também seria o que genuinamente representava os trabalhadores, sem nenhum predecessor. Transformou a si próprio - com o precioso auxílio de intelectuais que reforçaram a construção e divulgação das bazófias - em elemento divisor da História do Brasil. A nossa história passaria a ser datada tendo como ponto inicial sua posse no sindicato. 1975 seria o ano 1.

Durante décadas isso foi propagado nas universidades, nos debates políticos, na imprensa, e a repetição acabou dando graus de verossimilhança às falácias. Tudo nele era perfeito. Lula via o que nós não víamos, pensava muito à frente do que qualquer cidadão e tinha a solução para os problemas nacionais - graças não à reflexão, ao estudo exaustivo e ao exercício de cargos administrativos, mas à sua história de vida.

Num país marcado pelo sebastianismo, sempre à espera de um salvador, Lula foi a sua mais perfeita criação. Um dos seus "apóstolos", Frei Betto, chegou a escrever, em 2002, uma pequena biografia de Lula. No prólogo, fez uma homenagem à mãe do futuro presidente. Concluiu dizendo que - vejam a semelhança com a Ave Maria - "o Brasil merece este fruto de seu ventre: Luiz Inácio Lula da Silva". Era um bendito fruto, era o Messias! E ele adorou desempenhar durante décadas esse papel.

Como um sebastianista, sempre desprezou a política. Se ele era o salvador, para que política? Seus áulicos - quase todos egressos de pequenos e politicamente inexpressivos grupos de esquerda -, diversamente dele, eram politizados e aproveitaram a carona histórica para chegar ao poder, pois quem detinha os votos populares era Lula. Tiveram de cortejá-lo, adulá-lo, elogiar suas falas desconexas, suas alianças e escolhas políticas. Os mais altivos, para o padrão dos seus seguidores, no máximo ruminaram baixinho suas críticas. E a vida foi seguindo.

Ele cresceu de importância não pelas suas qualidades. Não, absolutamente não. Mas pela decadência da política e do debate. Se aplica a ele o que Euclides da Cunha escreveu sobre Floriano Peixoto: "Subiu, sem se elevar - porque se lhe operara em torno uma depressão profunda. Destacou-se à frente de um país sem avançar - porque era o Brasil quem recuava, abandonando o traçado superior das suas tradições...".

Levou para o seu governo os mesmos - e eficazes - instrumentos de propaganda usados durante um quarto de século. Assim como no sindicalismo e na política partidária, também o seu governo seria o marco inicial de um novo momento da nossa história. E, por incrível que possa parecer, deu certo. Claro que desta vez contando com a preciosa ajuda da oposição, que, medrosa, sem ideias e sem disposição de luta, deixou o campo aberto para o fanfarrão.

Sabedor do seu poder, desqualificou todo o passado recente, considerado pelo salvador, claro, como impuro. Pouco ou nada fez de original. Retrabalhou o passado, negando-o somente no discurso.

Sonhou em permanecer no poder. Namorou o terceiro mandato. Mas o custo político seria alto e ele nunca foi de enfrentar uma disputa acirrada. Buscou um caminho mais fácil. Um terceiro mandato oculto, típica criação macunaímica. Dessa forma teria as mãos livres e longe, muito longe, da odiosa - para ele - rotina administrativa, que estaria atribuída a sua disciplinada discípula. É um tipo de presidência dual, um "milagre" do salvador. Assim, ele poderia dispor de todo o seu tempo para fazer política do seu jeito, sempre usando a primeira pessoa do singular, como manda a tradição sebastianista.

Coagir ministros da Suprema Corte, atacar de forma vil seus adversários, desprezar a legislação eleitoral, tudo isso, como seria dito num botequim de São Bernardo, é "troco de pinga".

Ele continua achando que tudo pode. E vai seguir avançando e pisando na Constituição - que ele e seus companheiros do PT, é bom lembrar, votaram contra. E o delírio sebastianista segue crescendo, alimentado pelos salamaleques do grande capital (de olho sempre nos generosos empréstimos do BNDES), pelos títulos de doutor honoris causa (?) e, agora, até por um museu a ser construído na cracolândia paulistana louvando seus feitos.

E Ele (logo teremos de nos referir a Lula dessa forma) já disse que não admite que a oposição chegue ao poder em 2014. Falou que não vai deixar. Como se o Brasil fosse um brinquedo nas suas mãos. Mas não será?

Marco Antonio Villa, historiador, é professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR).

quinta-feira, 14 de junho de 2012

25.000 judeus vivem no Irã


O velhote do Penedo encontrou o texto abaixo no blog www.dailypaul.com e o considerou tão interessante e ilustrativo que resolveu transcrevê-lo aqui no Meu Penedo. Outros textos a respeito do assunto podem ser vistos no blog www.inacreditável.com.br.
Quando a gente vê e ouve a mídia brasileiro e lê textos como este, percebe o quanto somos manipulados e desinformados. Isto, é claro, não ocorre por acaso.
E por falar em desinformação: esta semana o velho professor do Penedo andou espiando o ranking universitário feito pelo site QS Top Universities. O portal especializado em ensino superior levou em consideração apenas a qualidade das universidades com menos de 50 anos. A Universidade de Campinas (Unicamp) e a Universidade de São Paulo (USP), brasileiras, aparecem em 44º e 99º lugares, respectivamente. A primeira colocada é a Chinese University Hong Kong. Susto o velhote do Penedo levou ao verificar que a 7ª colocada no ranking é a Pohang University of Science Technology, da Coréia do Norte!
Ué, não é a Globo News que vive dizendo que a Coréia do Norte é um país atrasadíssimo?


 Judeus que vivem no Irã


É a maior população judaica no Oriente Médio fora de Israel. Judeus iranianos não são perseguidos ou maltratados pelo Estado. Na verdade, eles são protegidos pela Constituição iraniana. Eles são livres para praticar sua religião e de votar nas eleições. Eles não são parados e revistados em pontos de controle, eles não são brutalizados por um exército de ocupação, e não são levados para uma colônia penal densamente povoada (Gaza), onde são privados dos meios básicos de sobrevivência, tal como ocorre com os palestinos em Israel. Os judeus iranianos vivem com dignidade e desfrutam dos benefícios da cidadania.

O presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad é demonizado na mídia ocidental. Ele é chamado de anti-semita e do "novo Hitler". Mas se essas alegações são verdadeiras, então por que a maioria dos judeus do Irã votaram em Ahmadinejad nas recentes eleições presidenciais? Será que a maioria do que sabemos sobre Ahmadinejad é apenas rumor sem fundamento e propaganda? Este excerto apareceu em um artigo da BBC:

"Ahmadinejad recentemente doou dinheiro ao Hospital Judaico de Teerã, que é um dos quatro hospitais de caridade judaicas em todo o mundo e é financiado com dinheiro da diáspora judaica. Algo notável no Irã, onde até mesmo as organizações de ajuda locais têm dificuldade em receber recursos do exterior com medo de serem acusados ​​de serem agentes estrangeiros".

Quando foi que Hitler doou dinheiro para hospitais judeus?

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JOÃO BOSCO É O NOME DELE!

João Bosco é o grande homenageado desta semana. Afinal, são quarenta anos de carreira. 
Dele e de Aldyr Blanc escutem "O bêbado e o equilibrista".


terça-feira, 5 de junho de 2012


Realidades e Perspectivas Brasileiras

O velhote do Penedo participou no último 31 de junho de um debate na sede do Partido Democrático Brasileiro, o PDT, em Brasília. O encontro foi patrocinado pela Fundação Leonel Brizola-Alberto Pasqualini. O velhote, há anos, afastou-se de quaisquer atividades partidárias, mas, hoje, em face da crise que se avizinha, resolveu expor seus pontos de vista. Hoje, os leitores terão a oportunidade de ver e ouvir o velhote mandando a sua modesta brasa. Gostaria imensamente de receber os comentários dos ouvintes, pois acredito que o velhote fez colocações que exigem reflexão e muita discussão. Ouçam, vejam e opinem: