O Velhote do Penedo

O Velhote do Penedo
O Velho Professor do Penedo em plena labuta! Vida difícil, esta!

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Vocês vão me perdoar, mas o mundo já era!


O velhote do Penedo defende a tese de que o mundo já se acabou, faz tempo. A sensação de que ainda estamos vivos é mero reflexo, tal como o rabo da lagartixa que continua a se mexer apesar de ter sido cortado do corpo da bicha. Um amigo meu jura que viu uma galinha decapitada andando como se estivesse completa! Mero reflexo!

Se o mundo não se acabou, como explicar a eleição do Renan para a presidência do Senado? Como explicar o artigo que tenho em mãos no qual José Sarney (autor do próprio) nos diz que a corrupção é o pior dos males da humanidade?

Não, meus leitores, o mundo já se acabou, só que nós, tal como o rabo da lagartixa ou a galinha decapitada, ainda não percebemos.

Li, no New York Times, que alguns tanques de lixo radioativo estão vazando no estado de Washington, Estados Unidos. No local, há 9 reatores nucleares, montados como parte do projeto Manhattan, que produziu as bombas que foram jogadas sobre Hiroshima e Nagasaki. O velho professor do Penedo ficou cabreiro: porque os jornais e noticiários televisivos brasileiros não falaram sobre isso? Fico imaginando o que diriam os nossos “comentaristas” se o vazamento estivesse ocorrendo na Coréia do Norte ou no Irã.

Anda pelo Brasil uma jovem cubana. Por onde passa, eu soube, há enorme reboliço, tantos dos que a admiram quando dos que a desprezam. Vi o senador Suplicy, a quem Paulo Francis chamava de “Mogadon” gritar, apoplético, contra os que vaiavam a jovem. O senador Suplicy é, antes de tudo, um chato.

Segundo diferentes fontes, a jovem cubana é jornalista ou blogueira ou coisa que o valha, não sei, pois nunca li nada que ela escreveu. O que talvez seja uma falha minha.

Dizem que ela é contra o governo do seu país – e que os irmãos Castro morrem de medo dela. Será? Não vou meter minha mão nessa cumbuca. Dizem que ela fará uma longa viagem de 80 dias pelo mundo denunciando as autoridades cubanas, mas não li nada sobre quem está financiando tal périplo. E não só isso. Não me consta que ela, ao mesmo tempo que ataca o governo de Cuba, fale alguma coisa sobre o embargo e o bloqueio econômico que os Estados Unidos impõem à ilha.

A verdade é que o velhote do Penedo não tem simpatia nenhuma pelos extremos: não gosta dos que amam acriticamente Cuba, como não suporto quem faz campanha visceral contra a ilha. Antes que pensem que estou em cima do muro, declaro: gosto de Cuba e estive lá duas vezes. E pretendo voltar.

Recentemente, estando na Europa, vi reportagens, na TV e em jornais portugueses, espanhois e franceses, que mostravam os estragos causados pelo furacão Sandy nas províncias de Holguin e Santiago, em Cuba. Centenas de casas foram destruídas. Nem as televisões brasileiras nem os jornais falaram sobre isso. Não deram uma só linha e não se falou uma só frase a respeito. Mas quando o Sandy atingiu os EUA, meu Deus!, vi “comentaristas” e “noticiaristas” falando, com voz embargada, sobre os estragos do Sandy em terras ianques. Quanta hipocrisia! A imprensa brasileira é hipócrita!

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Sociedade do medo


O medo não é um bom conselheiro de vida

O assassinato de 27 pessoas, entre as quais 20 crianças entre cinco e dez anos, na cidade de Newtown, no estado de Connecticut, EUA, impõs reflexões, mas, antes de tudo, o episódio evidencia que vivemos hoje num ambiente global de medo.

Balas perdidas, assaltos, trânsito caótico, postos de saúde carentes de médicos, remédios e condições mínimas de funcionamento, escolas que não ensinam e criam hordas de analfabetos funcionais, ônibus abordados por bandidos e incendiados nas vias públicas, crise econômica permanente, inoperância e omissão das autoridades – tudo isto (e muito mais) forma um cenário onde nós, os cidadãos comuns, somos obrigados a viver, a conviver e, sobretudo, temer. O que nos anima, portanto, é a sensação de medo. E a certeza de que nada podemos fazer, de que nada nos resta fazer. Criamos uma civilização infeliz, dominada pelo medo.

·         Cá no Brasil, 238 jovens morreram queimados, intoxicados e pisoteados quando uma boite (sem condições mínimas de funcionamento) permitiu que um conjunto musical – musical? – utilizasse em recinto fechado fogos de artíficio. Um crime que se confunde com a imbecilidade.

·         Renan Calheiros e Henrique Eduardo Alves, acusados de atos reprováveis na gestão do dinheiro público, foram eleitos (por seus pares) respectivamente presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados.

·         A Petrobrás, um dos grandes patrimônios do povo brasileiro, uma conquista histórica da nacionalidade, sofre nas mãos de administrações irresponsáveis, incompetentes e condenáveis.

·         O Fantástico apresentou um programa demolidor sobre as obras da transposição do Rio São Francisco. O Velhote do Penedo postou-a no seu blog. Um amigo meu, residente em São Paulo, esteve aqui em Brasília e me chamou a atenção para um fato: embora demolidora, a reportagem-denúncia não provocou nenhuma repercussão! Por quê? Por que os defensores da transposição não questionaram ou responderam os fatos denunciados (e mostrados) na reportagem do Fantástico? Por quê?

·         E a inflação, minha gente!
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É hora, minha gente, de ouvir a grande Beth Carvalho cantando músicas do grande Zé Kéti.