Por do sol em Penedo

Por do sol em Penedo

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Chimpanzé em preguiça: é possível?


Brasil, ah, Brasil! (2)

 

Jornal do Velhote do Penedo

Quarta-feira, 29 de janeiro de 2014 – Nº 20

Um jornal a serviço de ideias desabusadas

 

É possível transformar um chimpanzé numa preguiça? Explico melhor: é possível, através de treinamento (estou falando de treinamento, gente!), dotar um chimpanzé de gestos graciosos e calmos como são os de uma preguiça. Sabemos que o chimpanzé é capaz de atitudes violentíssimas, como o de atacar, até a morte, outros animais e se alimentar de filhotes de outros macacos. A preguiça, não. Ela é incapaz de atacar quaisquer outros animais, inclusive os da sua espécie e os seres humanos. Talvez por isso esteja ameaçada de extinção. Mas isto é outra história.

Pensei nisso quando li, hoje, nos jornais artigos de fundo defendendo o treinamento das polícias militares em direitos humanos. É impossível, pois a violência – e a violência com laivos de crueldade – faz parte da própria natureza das PM. Está no seu DNA.

O exército existe para “aniquilar” o inimigo. Certo. Guerra é guerra. A PM foi criada na ditadura militar com o objetivo de “aniquilar” passeatas, manifestações e todos os movimentos contrários ao regime militar. Portanto, ensinar aos meganhas a se comportar inspirados nos direitos humanos – é como ensinar um chimpanzé a ser uma preguiça. É possível?

O Velhote do Penedo, democrata que sofreu na ditadura e que sofre ao ver hoje a violência dos meganhas, defende a extinção pura e simples da PM. É possível. O Velhote acha que sim.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

As elites e os idiotas querem violência policial


 
Jornal do Velhote do Penedo

Segunda-feira, 27 de janeiro de 2014 – Nº 19.

Um jornal a serviço de ideias desabusadas

Brasil, ah, meu Brasil!

Numa rua de São Paulo, três meganhas perseguem um estudante de 23 anos. De repente, o estudante para, os milicos o cercam, brigam e um dos representantes da lei e da ordem dá, quase à queima-roupa, três tiros no estudante. Na TV, cercado de assessores, surge o governador Alckmin, ilustre representante no Brasil da Opus Dei, conhecida organização internacional (com sede em Madrid) de extrema-direita, e nos informa que cabe à polícia zelar pela segurança e pelo patrimônio público e privado. Sobre o estudante baleado, o governador diz que as imagens da violência (captadas por câmeras) serão devidamente analisadas e, caso tenha havido truculência policial, medidas serão tomadas. Cinismo e política se misturam no Brasil - e o produto dessa mistura é a violência dos meganhas.

Notaram que o governador de São Paulo usou a ressalva “caso tenha havido truculência”? Ou seja, para Geraldo Alckmin cenas em que três milicos cercam, batem e dão três tiros à queima roupa não caracterizam, em si, um “caso de truculência”. Há dúvidas que precisam ser esclarecidas.

Se o estudante fosse filho do governador, ou filho do irmão do governador, ou filho do financiador da campanha política do governador, ou filho de um figurão do PSDB, partido ao qual pertence o governador – certamente Alckmin faria o certo: mandaria prender os três milicos por agressão e tentativa de assassinato.

O estudante foi internado, operado e permanece no hospital, sedado e em estado grave. Os três milicos estão soltos – e prontos para agredir e atirar noutros estudantes.

A revista “Caros amigos” lançou, mês passado, número especial sobre a violência policial. São dez artigos (reportagens) e uma entrevista, esta com o tenente-coronel da reserva Adilson Paes de Souza, que relata a falta de formação adequada em direitos humanos e as dificuldades para melhorar a polícia militar.

Na verdade, a existência de uma polícia militar, tal e qual um pequeno exército estadual, voltado para a repressão generalizada, é na democracia um contrassenso. As unidades estaduais da PM foram criadas na ditadura, com a função de reprimir, violentar, agredir e  torturar os que lutavam com o autoritarismo. Estes eram chamados de terroristas, como hoje os que protestam e exigem uma sociedade decente e melhor são chamados de vândalos. Os vândalos só agridem, só quebram depois – depois! – que a polícia chega batendo, jogando bombas e espargindo spray de pimenta. Um dia, eles vão chegar atirando, como fizeram em 1968 no Calabouço, matando o estudante Edson Luiz.

Ao ler os artigos de “Caros amigos”, confesso que fiquei assustado. Pois fica claro que à medida que as manifestações crescerem (e elas vão crescer, com a aproximação da Copa), a repressão policial e os abusos vão recrudescer.

A violência policial é uma afronta à democracia.

Não esqueçamos: ano passado, quase uma centena de brasileiros desapareceram após serem presos. Um deles foi o Amarildo, lembram dele?
 

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Denunciar a corrupção é um ato político


 
Jornal do Velhote do Penedo

Quarta-feira, 22 de janeiro de 2014 – Nº 18.

Um jornal a serviço de ideias desabusadas

Outra nota curta, mas sempre indignada!

O Velhote do Penedo entende (no sentido político da palavra, se é que entendem), mas não aceita (ainda no sentido político da palavra):

- por que os meus amigos petistas negam o mensalão do PT e fazem carga apenas contra a corrupção patrocinada pelo PSDB?

- por que os meus amigos do PSDB se recusam a ver o mensalão do seu partido e só acusam os mensaleiros do PT?

- Mensaleiros e corruptos existem em todos os partidos. Vimos, agora, que até no Vaticano existem corruptos e pedófilos. Denunciar a corrupção seja do PT, do PSDB e dos demais partidos, é ato política da maior relevância, pois, ao roubarem, os políticos estão roubando dinheiro da educação, da saúde, da merenda escolar, etc.

- São políticos ou são punguistas - eis o dilema da política brasileira!

- Todos os corruptos, qualquer que seja o seu partido, têm que ir para a cadeia. Se o assaltante de banco vai, por que o engravatado de terno preto não vai?

E não só isso: temos que exigir compostura dos governantes:

- O Velhote do Penedo já disse e repete agora: jamais irei ao estádio Nacional de Brasília, que custou quase dois bilhões de reais. Dois bilhões de reais! Dois bilhões de reais, meus amigos!

- Na semana em que o estádio foi inaugurado (não faltou dinheiro!), no hospital infantil de Ceilândia 9 (nove!) crianças, que estavam internados na UTI morreram de infecção, ou seja, por falta de higienização, pois faltou dinheiro para isso.

- Faltou verba para higienizar a UTI do hospital infantil de Ceilândia, onde apenas crianças pobres estavam! Alguém já se perguntou: como estão os familiares e os pais dessas nove crianças? É claro que o ministro da Saúde, o secretário da Saúde do DF e o governador do DF sequer se lembram do episódio! A canalhice é um patrimônio brasileiro.

- Repito: faltou dinheiro para higienizar a UTI de um hospital infantil, causando a morte por infecção de nove crianças, mas não faltou dinheiro para erguer um estádio em Brasília!

- Temos que cobrar dos políticos, de todos, de todos os partidos, um mínimo de decência, compostura e retidão!

- Todos os partidos precisam ser lavados com água, sabão e soda cáustica, muita soda cáustica! Todos! Sem exceção! Se a metade dos corruptos acabar na cadeia, já é um bom começo!

- O Velhote do Penedo dirige-se agora a alguns de seus amigos: deixem de ser caolhas, que só enxergam de um lado da política!

sábado, 11 de janeiro de 2014

Viva o Brasiul! Viva a vida!


 

Jornal do Velhote do Penedo

Sábado, 11 de dezembro de 2014 – Nº 17.

Um jornal a serviço de ideias desabusadas

Nota curta, mas necessária

Uma pequena nota publicada hoje, 11 de janeiro de 2014, no Correio Braziliense, dá a medida do que o Brasil se transformou: Francisco Bazílio Cavalcante, casado, nordestino, há 20 anos limpava o Aeroporto JK. Foi demitido poucos meses antes de se aposentar. Sem explicação. Ninguém se importou com isso, a não ser ele próprio, a mulher, os filhos e os netos. Francisco Bazílio Cavalcante é o trabalhador que achou e devolveu ao dono uma mala com US$ 10 mil. Na época, o então presidente da República (hoje, um dos homens mais ricos do Brasil, segundo o ex-deputado Hélio Bicudo) fez uma piada: “achado não é roubado”. E pensar que gente equivocada, cuja visão política tem a altura de um meio-fio, cogita fazer uma “vaquinha” para pagar as dívidas dos mensaleiros para com a justiça. Francisco Bazílio Cavalcante, que não caiu na tentação de ficar com o dinheiro dos outros, com a idade que tem, dificilmente vai encontrar um novo emprego, mesmo de faxineiro. Viva a vida! Viva o Brasil!

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

E as autoridades, onde estão?


 

Jornal do Velhote do Penedo

Terça-feira, 8 de dezembro de 2014 – Nº 17.

Um jornal a serviço de ideias desabusadas

Violência nos presídios e outros assuntos pouco dignos

Um dos orgulhos do Velhote do Penedo é ter orientado uma dissertação de mestrado sobre o sistema penitenciário brasileiro. Orgulho por vários motivos: a qualidade do trabalho, que mereceu “menção honrosa”, a defesa da mestranda (vamos chamá-la de Maria, só para facilitar) e o nível da bibliografia que ela consultou. Além dos referenciais teóricos obtidos nos campos da sociologia e da ciência política, Maria leu e estudou “Estação Carandiru”, de Drauzio Varella e “Memórias do cárcere”, de Graciliano Ramos, e deles soube recolher interessantes conclusões. Uma dissertação excelente, que me veio à lembrança diante do noticiário (escabroso!) sobre o Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luís, Maranhão, feudo dos Sarney.

Uma das conclusões da dissertação de Maria era óbvia: as penitenciárias brasileiras são dominadas por facções criminosas e se transformaram em verdadeiras universidades do crime. Pedrinhas, contudo, pelo que se lê nos jornais, transformou-se numa unidade de excelência no crime e na hediondez: assassinatos brutais de presos, estupro de familiares (esposas, irmãs, filhas) de presos nos dias de visita (preço que garante a vida do condenado), presença de mulheres (presas) nos pavilhões dos homens, doenças (AIDS, doenças venéreas, tuberculose, entre outras doenças transmissíveis campeiam).  Um horror.

Tudo isso, é claro, sob o olhar desinteressado das autoridades estaduais, mais preocupados em desfrutar das delicias do poder e das mesas fartas dos palácios. (“Tia” Dilma: cuidado, a posteridade não a perdoará por sua aliança com o Sarney. Não falo do Lula porque ele está se lixando para a posteridade).

Ontem, a governadora Roseana, após um período de férias, disse que o relatório do Conselho Nacional de Justiça sobre as condições de Pedrinhas só tem “inverdades” e “fraudes grosseiras”. Há uns dois meses, quando os mensaleiros estavam em vias de serem presos, o ministro da Justiça disse que preferiria morrer a ser encarcerado nos presídios brasileiros. Roseana deve achar Pedrinhas uma maravilha, lugar de presos comuns, pobres, negros, mulatos e mestiços. Ela se esqueceu de dizer isso na sua entrevista coletiva.

Este ano, mais uma vez, tivemos chuvas, mortes, famílias que perderam tudo. “Tia” Dilma interrompeu suas férias, sobrevoou a região atingida e disse que vai encaminhar aos prefeitos um cartão “para pequenas despesas”. Dito isso, voltou às praias baianas, onde foi fotografada (de longe) de maiô peça única, preto e de boné branco.

O presidente da FIFA deu entrevista e disse que as obras para a Copa do Mundo no Brasil estão atrasadas. Estão – e muito. “Tia” Dilma respondeu que o Brasil vai fazer “a Copa das Copas” e que o “brasileiro saberá receber os turistas”.

E pensar que o Brasil poderia ser uma grande nação!
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"Sonho e saudade", de Tito Madi, uma das canções que o Velhote do Penedo selecionou no programa "Memória Musical", da Rádio Nacional FM.