O Velhote do Penedo

O Velhote do Penedo
O Velho Professor do Penedo em plena labuta! Vida difícil, esta!

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Efemérides e Jorge Amado



Efemérides

Falei aqui outro dia no crítico e jornalista Álvaro Lins, que estaria, este ano, comemorando 100 anos, tal como Jorge Amado e Nelson Rodrigues.Mas 2012 é um ano de grandes datas, muitas das quais estão passando desapercebidas. Alguns exemplos:

·         110 anos de publicação (1902) de uma obra-prima: “Os Sertões”, de Euclides da Cunha. Obra essencial para a compreensão do Brasil (se isto for possível!).

·         100 anos (1912) da publicação de “Eu”, de Augusto dos Anjos.

·         90 anos de criação do Centro Dom Vital (1922) pelo intelectual católico Jackson de Figueiredo. O objetivo do centro era atrair a intelectualidade católica brasileira. Após a morte de Jackson Figueiredo, o Centro passou a ser dirigido por Alceu do Amoroso Lima (Tristão de Thayde).

·         80 anos da publicação (1932) de “Fantoches”, primeiro livro do escritor gaúcho Érico Veríssimo.

·         80 anos da publicação (1932) de “Menino de engenho”, primeiro livro do escritor pernambucano José Lins do Rego.

·         70 anos da publicação (1942) de “Formação do Brasil contemporâneo”, do escritor marxista Caio Prado Júnior. Livro notável. Essencial.

·         120 anos do nascimento (1892) do escritor alagoano Graciliano Ramos.

·         110 anos de nascimento (1902) de Carlos Drummond de Andrade.

·         110 anos do nascimento (1902) de Sérgio Buarque de Holanda, autor de “Raízes do Brasil”, “Monções”, “Caminhos e fronteiras” e “Visão do Paraíso”.

·         30 anos da morte (1982) de Sérgio Buarque de Holanda.

·         120 anos do nascimento (1892) de Assis Chateaubriand.

·         90 anos (1922) da Semana de Arte Moderna.

·         60 anos da morte, em desastre de carro na Via Dutra, de Francisco Alves, o Rei da Voz.

·         45 anos da morte (1967) de Guimarães Rosa.

·         25 anos da morte (1987) de Gilberto Freyre.

·         35 anos da morte (1977) de Clarice Lispector.

·         90 anos do nascimento (1922) do humorista e escritor Leon Eliachar.

·         25 anos da morte (1987) de Leon Eliachar.

·         100 anos do nascimento (1912) do grande compositor.

·         90 anos de nascimento (1922) da cantora Nora Nei.

·         110 anos de nascimento (1902) do cantor e compositor Moreira da Silva.

·         90 anos de nascimento (1922) da cantora Dircinha Batista.

E PARA CONCLUIR:

·         70 anos do nascimento (1942) do Velho Professor do Penedo!

 

*********************************************************



Jorge Amado, força e coragem

A obra de Jorge Amado pode ser dividida em três fases bem distintas. A primeira está constituída pelas novelas O país do carnaval (1931), Cacau (1933) e Suor (1934). São obras destituídas de significação literária, mas que provocaram ruído e deram fama quase instantânea ao autor, estimulando a sua carreira. A segunda fase vai de Jubiabá (1935) à trilogia Os subterrâneos da liberdade (1954). É a fase eminentemente política e ideológica do escritor baiano. A terceira fase teve início em 1958, com a publicação de Gabriela, cravo e canela. É a fase picaresca, lúdica e folclórica do escritor Jorge Amado.

A distinção entre a primeira e a segunda fases é técnica: rigorosamente, Jubiabá é o primeiro livro de Jorge Amado que merece, com precisão, ser chamado de romance. O corte entre a segunda e a terceira fases foi traumaticamente político e externo à atividade literária do escritor baiano: ocorreu em 1956, quando das denúncias de Kruschev sobre os crimes de Stalin, que provocaram rupturas definitivas no movimento comunista - e uma debandada de quadros intelectuais dos PC's, horrorizados diante dos fatos tornados públicos por Kruschev. Jorge Amado foi um deles.

Mas a pergunta que nos interessa é a seguinte: do ponto de vista literário, qual foi a melhor fase de Jorge Amado?

A rigor, a obra de Jorge Amado não pode ser avaliada exclusivamente em termos de fases, embora estas forneçam referências precisas quanto à expressão estilística, enredos e temas desenvolvidos pelo autor. Os três primeiros livros do baiano, como já observamos, constituem nada mais que pequenas e frustradas tentativas literárias. A partir de Jubiabá até os nossos dias, porém, a obra de Jorge Amado foi, ao longo do tempo, sempre muito irregular, oscilando entre livros superiores, como Mar morto (1936), Terras do sem fim (1943) e Os velhos marinheiros (1961), e livros inferiores, como Os subterrâneos da liberdade (1954), Tocaia grande (1984) e O sumiço da santa (1988).

Esta ciclotimia literária de Jorge Amado, contudo, não afetou o sucesso e a fama que os seus livros provocaram, no Brasil e no exterior. Durante anos, Jorge Amado e Érico Veríssimo foram os nossos raros profissionais da literatura. Jorge Amado, como Veríssimo, viveu unicamente da ficção, das numerosas edições nacionais e estrangeiras dos seus livros, sem contar, é claro, as adaptações e venda de direitos para o teatro, rádio, cinema e televisão. Os críticos costumam dizer, em voz baixa que tudo isso não representava, em si, um sucesso literário: Jorge Amado - assim como os poetas Pablo Neruda e Nicolás Guillen - teria sido beneficiado interna e externamente pelos partidos comunistas, cujas máquinas transformaram-se em agências de propaganda da obra do baiano, como das obras de Neruda e Guillen. Será?

Há, sem dúvida, um fundo de verdade nisso, mas como explicar, por exemplo, o sucesso de Jorge Amado após o seu afastamento do PCB? A verdade é que os livros da terceira fase de Jorge Amado - vide, por exemplo, os casos de Gabriela, cravo e canela e Dona Flor e seus dois maridos - venderam tanto quanto os livros da segunda fase, embora cada uma das fases do autor tivesse suas próprias motivações, inspirações e, provavelmente, leitores. Há, é claro, um fato político nisso tudo: ao se afastar do movimento comunista, Jorge Amado, ao contrário do que sucedeu a tantos outros intelectuais, não se transformou num anticomunista. Pode-se afirmar que, em certas circunstâncias, Jorge Amado continuou assumindo posições políticas de esquerda, embora não comunistas. Em suma: desligando-se do PCB, o escritor baiano não renegou a sua militância anterior - e, com exceção do insuportável O mundo da paz, não repudiou nenhum livro que escrevera na sua fase política. Jorge Amado simplesmente exorcizou o fantasma de Stalin, mas permaneceu um socialista.

Como escritor, Jorge Amado não se sobressaiu propriamente pelo uso apurado de técnicas literárias. Era, na verdade, um excepcional contador de histórias e, de certa maneira, um criador de personagens, embora estes padecessem da visão maniqueista do autor de Seara vermelha, evidenciando quase sempre a luta entre os bons e os maus. Tal dogmatismo foi uma constante na obra de Jorge Amado - e, ao contrário do que se poderia pensar, não era traço apenas da segunda fase do autor. É isto o que explica, por exemplo, a repetição de personagens, com nomes diferentes, na extensa obra do baiano.

A obra de Jorge Amado inspirou numerosa bibliografia crítica, em geral elogiosa. Miécio Tati, autor de uma bibliografia do escritor baiano, valorizou a intenção de Jorge Amado de utilizar a literatura para apontar "os flagrantes espantosos de dor e humilhação" do povo brasileiro. Sérgio Milliet elogiou a linguagem e a tessitura de Gabriela, cravo e canela, afirmando que a obra marca uma nova atitude literária do romancista. Luciana Stegagno Picchio, escritora italiana que escreveu uma História da literatura brasileira, notou que Jorge Amado escreveu uma "obra sem igual no país e de que é fácil compreender o êxito junto a outros povos".

As opiniões discordantes referem-se, sobretudo, aos recursos poéticos do romancista, tidos por alguns comentaristas como apelativos ou, mesmo, de mau gosto, e ao uso exagerado de conceitos políticos, o que, em alguns casos, amesquinhou os seus romances. Álvaro Lins, por exemplo, fez severas e pertinentes restrições à obra de Jorge Amado, chegando a afirmar que as deficiências do romancista sufocaram o seu talento. "Jorge Amado" - observou Lins - "insiste no mau gosto como se estivesse ostentando um troféu". Segundo o autor de Os mortos de sobrecasaca, Jorge Amado sempre descuidou dos processos artísticos, literários e técnicos de sua obra, parecendo querer construí-la na base da força, ou seja, dos seus dons de narrador e contador de histórias. As críticas de Otto Maria Carpeaux a Jorge Amado eram de outra natureza. Em seu artigo “Cony e o outro” (Leitura, XXIII-89, dezembro de 1964), Carpeaux fez a seguinte comparação: "Quando, em abril de 1964, um grupo subjugou outros grupos e os indivíduos, então o indivíduo Carlos Heitor Cony se levantou com coragem admirável, sozinho, arriscando a existência material e a integridade física para defender os ofendidos e humilhados. Mas o outro romancista (Jorge Amado. RCA) não aproveitou seu prestígio internacional para protestar. Ficou calado".

Jorge Amado foi figura proeminente do movimento literário nordestino, cujos esteios foram José Américo de Almeida, Jorge de Lima, Raquel de Queirós, José Lins do Rego, Amando Fontes e Graciliano Ramos. Hoje, a urbanização intensa e a padronização cultural estão eliminando das nossas perspectivas intelectuais o interesse pelos traços regionais.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012


Textos admiráveis

Seguem, abaixo, dois textos do balacobaco. O primeiro, de Henrique Júdice Magalhães desmistifica a história de que a previdência é deficitária. Deficitária é o escambau! Mal gerida, irresponsavelmente gerida, isto sim. O segundo texto, do jornalista Ricardo Noblat, discute a figura do ministro Joaquim Barbosa, que por sua posição firme no processo do mensalão está sendo atacado por um tipo de imprensa que serve o poder. Leiam os dois textos. E meditem.

No fim uma homenagem ao sambista Roberto Silva, o príncipe do samba, falecido no último fim de semana

 


 

Henrique Júdice Magalhães
1. A Previdência Social teve um déficit de 42 bilhões de reais em 2006
Este é resultado da subtração entre a arrecadação de contribuições sobre a folha de salários e o gasto com o pagamento de benefícios. Acontece que essas contribuições não são as únicas fontes de recursos da Previdência. Concluir daí que ela é deficitária faz tanto sentido quanto dizer que um cidadão que tem três empregos está no vermelho porque o salário de um deles não cobre todos os seus gastos.
A Previdência perde arrecadação por conta de isenções concedidas pelo governo a alguns setores (pequenas empresas, entidades filantrópicas, exportadores). Em fevereiro deste ano, o MPAS - Ministério da Previdência e Assistência Social - mudou a forma de cálculo do resultado previdenciário para incluir na soma das receitas do INSS o que deixa de ser arrecadado por causa disso. Por este critério, o déficit cai pela metade.
Mas esta tampouco é a maneira correta de calcular o resultado da Previdência. O ministério não leva em conta a arrecadação da Cofins, CSLL e CPMF – tributos destinados à Seguridade Social. A professora Denise Gentil, do Instituto de Economia da UFRJ, faz a conta considerando estas receitas. O resultado é um superávit de R$ 1,25 bilhão em 2006. O INSS tem, ainda, um crédito de R$ 156 bilhões a receber de empresas sonegadoras, de acordo com estimativas da Advocacia Geral da União (AGU).
2. O gasto previdenciário, como proporção do PIB, é alarmante e não pára de crescer
A relação despesa do INSS/PIB indica a proporção da renda nacional apropriada pelos beneficiários da Previdência: aposentados, pensionistas e trabalhadores afastados por doença ou acidente. Está em 8% - proporção semelhante à que se gasta para remunerar especuladores através do pagamento de juros da dívida pública. Os beneficiários do INSS são 20 milhões; os proprietários de títulos da dívida, 20 mil.
O problema, se existe, não está na Previdência, mas no PIB, que, desde 1980, cresce a taxas irrisórias. Segundo o economista Amir Khair (1), ex-secretário de Finanças da prefeitura de São Paulo, se o PIB tivesse crescido a uma média de 5% ao ano entre 95 e 2006, a relação entre o gasto previdenciário e a riqueza produzida no país teria permanecido inalterada mesmo com o crescimento, em números absolutos, do volume despendido com pagamento de benefícios.
3. A mudança para o regime de capitalização ajudará a ampliar a poupança interna necessária à promoção do crescimento
Em 1994, a Argentina adotou um modelo previdenciário semelhante ao que está sendo proposto para o Brasil. Daquele ano até 2001, o Estado deixou de arrecadar 70 bilhões de dólares a título de contribuição previdenciária – montante absorvido pelos fundos privados. Esta soma cobriria o endividamento que resultou na bancarrota de 2001.
É o dinheiro da Previdência que sustenta os demais gastos do Estado, e não o contrário. A médio prazo, a adoção do regime de capitalização agravará o problema fiscal em vez de resolvê-lo, já que o Estado deixará de arrecadar esse dinheiro, ou ao menos parte expressiva dele, se os trabalhadores passarem a descontar para instituições financeiras.
4. A combinação entre a queda das taxas de natalidade e a ampliação da expectativa de vida cria uma bomba-relógio demográfica que torna inviável o regime de repartição
Esta pode ser a situação de alguns países europeus. Está longe de ser a do Brasil. De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a expectativa de vida aqui, em 2006, era de 71 anos; na Alemanha, era de 79. O número médio de filhos por mulher, no Brasil, era de 2,1, sendo que a queda é recente; na Alemanha, está estagnado há tempos em 1,3.
A atual pirâmide etária brasileira é o melhor dos mundos para o sistema previdenciário. A população idosa (acima de 65 anos) é apenas 9% daquela em idade de trabalhar (15 a 64 anos). Na Bélgica, França, Alemanha, Finlândia e Suécia, esta proporção é de 27%. Seus sistemas de Previdência pagam benefícios muito mais altos que os do INSS e cobrem um leque mais amplo de situações.
O que é de fato preocupante é a baixa proporção da população coberta pela Previdência. Em 2005, de uma população economicamente ativa de 96 milhões de pessoas, 9 milhões estavam desempregadas. Dos 87 milhões que exerciam alguma forma de atividade remunerada, apenas 31 milhões contribuíam para o INSS. O problema da baixa proporção entre ativos e inativos não está na pirâmide etária, mas na política econômica que faz grassar o desemprego.
5. No Brasil, as pessoas se aposentam muito cedo. É necessário instituir uma idade mínima para evitar que a Previdência quebre
A idade média de aposentadoria no Brasil é de 61 anos, contra 58 na Bélgica e 60 na Itália, Argentina e China. Entre os países ricos, a idade média de aposentadoria mais alta é a do Japão: 67 anos. Acontece que a expectativa de vida lá é de 80 anos, ou seja, o trabalhador japonês recebe seu benefício por mais tempo que o brasileiro. Há países que adotam idade mínima, mas nem por isso deixam de ter gastos previdenciários expressivos com adultos em idade produtiva. Na Alemanha, o salário-família é de 154 euros por filho e pode ser pago até que a “criança” complete 27 anos.
Impedir o trabalhador de se aposentar não melhora as contas da Previdência. A relação gasto do INSS/PIB saltou de 5 para 7,3% no período 1995/2004, justamente quando mais se restringiu o acesso aos benefícios previdenciários no Brasil. A explosão do desemprego – que atingiu principalmente os maiores de 50 anos – e a insegurança gerada pelas sucessivas restrições de direitos levaram quem já podia se aposentar a fazê-lo, mesmo nas piores condições possíveis, por falta de opção ou medo de não conseguir fazê-lo depois.
Notas
1) Revista Problemas Brasileiros nº. 380. São Paulo, SESC/SP, março/abril de 2007.
2) Marcelo Abi Ramia Caetano, Determinantes da sustentabilidade e do custo previdenciário: aspectos conceituais e comparações internacionais. Brasília, IPEA, outubro de 2006 (texto para discussão nº. 1226).
Henrique Júdice Magalhães é jornalista, ex-servidor do INSS e pesquisador independente em Seguridade Social. Porto Alegre/RS - Email: henriquejm(0)gmail.com

*************************************************

A prática de corrupção entre nós não cessará com a condenação dos réus do mensalão. A impunidade, talvez, a depender da força da bordoada que acabe levando


Ricardo Noblat


O Partido da Imprensa Governista (PIG) começou a descer o pau no ministro Joaquim Barbosa, relator do processo do mensalão.O PIG é parente da imprensa chapa branca que sobrevive da caridade oficial. Basicamente, é o conjunto de blogs, sites e portais que serve ao governo e aos partidos que o apoiam.

Trata-se de mais um aspecto da herança pesada deixada por Lula para Dilma, por mais que ela negue.

Por que Joaquim virou alvo de malhação? Porque o desempenho dele até aqui desagrada ao PT. Porque ele deve a Lula sua nomeação para o Supremo Tribunal Federal (STF) e, no entanto, atua com a independência que se espera de todo juiz. Registre-se por dever de ofício: ele e outros ministros indicados por Lula e Dilma. Nem todos. Naturalmente, o PIG está impedido de expor com clareza as razões de sua revolta contra Joaquim. Seria insensato fazê-lo. Correria o risco de perder seus poucos leitores tamanho é o prestígio de Joaquim nas chamadas redes sociais. Ali ele virou uma espécie de anjo vingador. Um anjo preto, zangado, irritadiço e sempre à beira de um ataque de nervos. Sem audiência, para quê sustentar o PIG? Só para que continuasse a disseminar intrigas durante períodos eleitorais? Para que funcionasse como laboratório onde se testam palavras de ordem? Ou para que seguisse defendendo aliados do governo? Collor, Sarney, Renan - toda essa gente conta com a ajuda do PIG quando se lhe apertam os calos. Sem utilidade, adeus patrocínio!

O PIG argumenta que Joaquim está sendo muito rigoroso com os réus do mensalão. Como se rigor fosse um exagero e a condescendência o mais aconselhável. Não ria: membro mais afoito e mais bem remunerado do PIG comparou Joaquim a inquisidores da Idade Média que torturaram e mataram. Seria o nosso Torquemada! No fim do século XV, na Espanha, o dominicano Tomás de Torquemada, promovido a inquisidor-geral pelo papa Inocêncio VIII, recomendava parafusos nos polegares dos heréticos enquanto rezava contrito e baixinho pela salvação de suas almas.

Se Joaquim procede como ele, o STF virou o endereço nobre e espaçoso dos novos inquisidores. Sim, porque Joaquim não julga sozinho. Na última segunda-feira, por exemplo, ele condenou Ayanna Tenório, uma das diretoras do Banco Rural, o financiador de parte do mensalão. E aí? Aí que Ayanna acabou absolvida por 9 votos contra um. Ninguém no STF é voto de cabresto de ninguém. Um homem, um voto. De resto, as decisões do STF no processo do mensalão estão sendo tomadas por larga maioria de votos. É isso, e apenas isso o que está tornando possível até agora o próprio julgamento. O julgamento mais longo e complexo da história da Corte Suprema. Que não tem data para terminar. E que não se sabe como terminará.

Em dezembro de 2005, quando ficou pronto o relatório da CPI dos Correios que apurou o esquema do mensalão, Lula se recusou a lê-lo. Disse que só lhe interessava a palavra final da Justiça. Depois se antecipou à Justiça e decretou que o mensalão não passara de uma farsa. Delúbio Soares preferiu chamá-lo de futura "piada de salão". Joaquim Torquemada e sua equipe de torturadores concluíram que de farsa o mensalão nada teve. Assim como também nada teve de engraçado.
************************************
ROBERTO SILVA, ADEUS!