Por do sol em Penedo

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segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Mensalão e Amazônia


Mensalão

Começou o julgamento dos mensaleiros. Ontem, enquanto o Velhote do Penedo trabalhava, a televisão estava ligada (sem som). De vez em quando, eu dava uma espiada. O dia de ontem caracterizou-se apenas pela iniciativa protelatório de um dos ministros, que, todos sabem, usa debaixo da toga um escudinho do PT. Os mensaleiros precisam ser condenados, senão os brasileiros vão perder, de vez, a sua crença na justiça.

A mim me parece claro que o Brasil não será o mesmo depois do julgamento do mensalão. Se os mensaleiros forem condenados, os brasileiros voltarão a ter alguma crença nas instituições do país, mormente nas instituições jurídicas e políticas; se os mensaleiros forem absolvidos, os brasileiros deixarão, de vez, de acreditar nas instituições, na democracia, na justiça e na crença de que o político não pode roubar, comprar votos, desviar recursos, etc.

Lula, que não perde a oportunidade de dizer uma impropriedade, perguntado se iria acompanhar o julgamento, disse que “tem coisas mais importante para fazer”. E possível: tomar umas pingas, fazer cafunés na “senhora”, ouvir Zeca Pagodinho e verificar se o BNDES está liberando os recursos para a construir de um ente privado, o Corinthians, time pelo qual o Lula torce.

 Quando o escândalo do mensalão explodiu, Lula, em pânico, correu a dizer que não sabia de nada, que isso era coisa dos aloprados do partido. Em entrevista dada em Paris, Lula reconheceu que os fatos existiam e que os culpados seriam punidos. Bem, 7 anos depois, Lula meteu o macacão da arrogância – e diz outra impropriedade, como, aliás, é do seu feitio.

Vamos acompanhar o julgamento dos mensaleiros – e verificar se ainda podemos ter, mesmo longinquamente, esperança no Brasil.

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Adeus ao paraíso



Com o título acima, o Velhote do Penedo escreveu um livro sobre a internacionalização da Amazônia. Nos meus tempos de ginásio no colégio municipal Souza Aguiar, no Rio de Janeiro, tive um professor extraordinário, combativo defensor da Amazônia. Chamava-se ele Orlando Valverde – e foi uma das mais brilhantes inteligências que conheci na vida.

É bom que se diga que quando o Velhote fala em internacionalização não está se referindo, necessariamente, em ocupação militar. A internacionalização da Amazônia – a meu ver, em curso – é um processo quase silencioso, levado a efeito pelo capital internacional investido na região, pela ação de ONG’s financiadas por instituições e por governos estrangeiros e pela cumplicidade de muitos brasileiros. É isso.

Leiam um trecho do prefácio que, na época, escrevi:





Quando aceitei a sugestão do meu amigo Marcel Bursztyn para escrever o presente livro, o título Amazônia, adeus me veio imediatamente à cabeça. Um amigo, emérito cientista recentemente falecido, pediu-me, por intermédio de um amigo comum, que não fosse tão enfático. Não entendi. Ele explicou-me. O título escolhido, segundo ele, poderia transmitir a idéia de um fato consumado, a melancólica certeza de que a internacionalização da Amazônia tornara-se irreversível. Era necessário, acrescentou, injetar um pouco de esperança nos leitores, principalmente nos jovens. Sugeriu-me, então, colocar uma interrogação no título. Amazônia, adeus? Seria, a seu ver, o título mais adequado e mais conveniente do livro.

Não tive tempo de pensar na sugestão, pois descobri, a tempo, que o título Amazônia, adeus não era inédito, razão pela qual tive de abandoná-lo. Fixei-me, então, no título Adeus ao Paraíso: a internacionalização da Amazônia, evidentemente inspirado em Euclides da Cunha. O autor de Os sertões, como se sabe, esteve na Amazônia em 1905, participando de uma comissão mista formada por representantes brasileiros e peruanos. Euclides, como tantos que por lá estiveram, ficou pasmo diante da exuberância da floresta amazônica. Chamou-a de o paraíso perdido, pois via ali, naquela imensidão, a origem do paraíso bíblico. Daí, tirei o título do presente livro.

Escrevi Adeus ao Paraíso movido pela incômoda certeza de que, caso nada seja feito, e imediatamente, a Amazônia será internacionalizada, tal e tantos são os interesses políticos, econômicos e geoestratégicos que a região atrai. Admito que muitos dirão que a afirmação é audaciosa e improvável, mas afirmado está. Nesse sentido, o título do livro, embora possa parecer politicamente incorreto, pretende ser uma espécie de desafio, principalmente ao espírito de luta dos meus leitores mais jovens. O título Adeus ao Paraíso não significa, em si, uma derrota, nem uma rendição. Significa, antes de tudo, um alerta, um chamamento, talvez uma esperança. Não gosto de frases eloquentes, mas vá lá: a esperança é, na verdade, irmã siamesa da nossa coragem de enfrentar os nossos desafios históricos. E a preservação da Amazônia é, hoje, um dos maiores desafios do povo brasileiro.

Cabe deixar claro que este livro, como os outros que escrevi, pertence ao campo da sociologia crítica, com a qual me identifico no plano das idéias e das ações. Defender posições políticas que considero justas é o pouco que ainda me sinto em condições de fazer contra uma realidade social e política que, em última análise, me causa repugnância. Da minha mesa de trabalho, derradeira e frágil trincheira de luta, mando as minhas honestas e sinceras brasas, sem receio das críticas e das censuras que me podem ser feitas.

Apesar de tudo, inclusive dos meus tantos fracassos políticos, ainda encontro forças para acreditar nas idéias - estas, sim, capazes de construir alternativas possíveis para um mundo que, a pretexto de grandes conquistas, teima caminhar para a autodestruição.
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Aqui, vemos e ouvimos Lenine cantando "Qui nem jiló", de Luiz Gonzada e Humberto Teixeira. O Velho Professor do Penedo acha essa música do balacobaco!



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