O Velhote do Penedo

O Velhote do Penedo
O Velho Professor do Penedo em plena labuta! Vida difícil, esta!

sábado, 28 de maio de 2016

Apodrecimento da vida política brasileira


Vamos nos repensar?

Estou achando ótimo, embora apreensivo, o esquema de delações e gravações que ora torna os nossos dias e noites divertidos. Apreensivo porque deixa claro o nível de apodrecimento da vida política brasileira.

Como não sou de nenhum partido, nem tenho admiração por eles, quero que os políticos corruptos e ordinários se lasquem – e terminem as suas gloriosas carreiras atrás das grades. Se gente do governo Temer estiver envolvida, que seja substituída. Há no Congresso (e na sociedade brasileira) muitos parlamentares (e profissionais) competentes e honestos, que podem perfeitamente ocupar cargos - e auxiliar Temer a atravessar o Rubicão.

O Velhote do Penedo não votou na Dilma (logo, também não votou no Temer: a chapa é indivisível) no 1º e 2º turnos. No primeiro, votei na Luciana Genro; no segundo, exerci um direito que os meus 73 anos me asseguram: não fui votar. Os eleitores da Dilma, portanto, não reclamem: eles, no fundo, são responsáveis pelo Temer, que assumiu, constitucionalmente, no lugar da presidente impedida. Quem votou na Dilma, votou também no Temer – ponto final. Se a Dilma sofresse um infarte fulminante, quem assumiria era o Temer.

As delações e gravações divulgadas mostram uma coisa: um golpe – mas golpe mesmo! - estava em curso, contra Dilma e contra a operação Lava-Jato. Lideranças do PMDB e gente do PT, sobretudo Lula (mas não só ele), bolavam um plano sórdido de “afastar” a Dilma das suas funções, embora ela permanecesse no cargo, imobilizada, com o Lula, na Casa Civil, “tocando” o país em associação com os peemedebistas históricos (Sarney. Renan, Jucá, entre outros). Ao mesmo tempo, a operação Lava-Jato seria esvaziada, livrando a cara do Lula, da própria Dilma e da liderança do PMDB. Em minha opinião, Temer e seus amigos mais próximos estavam à margem da trama, por duas razões principais: 1) a queda da Dilma - via impedimento - o beneficiaria; 2) ele e Renan não se tocam - nunca se tocaram - e o presidente do Senado era um dos líderes do golpe.

O golpe enfrentava uma dificuldade: convencer o Teori (e outros ministros do STF) a se engajar na trampa. A arquitetura do golpe era complexa, mas que estava em curso, estava. Em algum momento, porém, o golpe foi abortado – e agora posto à luz pelas delações e gravações. É bom lembrar que as gravações foram feitas em fevereiro e março, bem antes do impedimento da Dilma e da subida do Temer.

Agora, um equívoco (não vou chamar de golpe porque quem defende essa solução não é golpista) está em curso, embora alguns dos envolvidos não tenham consciência do erro: “as eleições já”. É equívoco porque, constitucionalmente, o governo Temer, que sucedeu a presidente impedida, é legal, queiramos ou não, aceitemos ou não. Essa é a regra do jogo, por mais que não gostemos dele. Temer era o vice, escolhido e votado pelos que votaram em Dilma. Logo, é ele, legitimamente, o sucessor da presidente afastada. Além disso, “eleições já” implicam em reforma constitucional, que exige quorum qualificado de três quintos em dois turnos, afora quebra de cláusulas pétreas. Pedir “eleições já” é jogar gasolina na fogueira política brasileira. Daí eu considerar a proposta um equívoco.

O Velhote já disse aqui: o PT desmoralizou a esquerda – ou a ideia da esquerda no poder. Hoje, queiramos ou não, esquerda está identificada como incompetência e corrupção. Nós, de esquerda, perdemos – e precisamos saber perder com dignidade. O PT nos conduziu ao fosso que estamos. Não devemos nos desforrar via palavrões, cusparadas ou xingos. Precisamos curar nossas feridas, que são fundas e sérias.

A esquerda precisa se repensar, se modernizar, encontrar um discurso para o século XXI. Temos que aprender com os clássicos, mas trazer ao balaio um pensamento atualizado. O pior é as nossas universidades são incapazes de liderar esse processo. A esquerda e as universidades envelheceram – pensam como se nós ainda estivéssemos na primeira metade do século XX.

Um comentário:

  1. O título poderia ter sido "O verdadeiro golpe". Excelente sua análise deste momento podre da nossa história.

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