O Velhote do Penedo

O Velhote do Penedo
O Velho Professor do Penedo em plena labuta! Vida difícil, esta!

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Guia do passado - alegrias, venturas e esperanças: os anos 1950 e suas adjacências

Lanço, este mes, o meu Guia do passado. Um livro que curti escrever e, acredito, será curtido pelos leitores. Novamente um lançamento da Casa da Palavra. Também estou lançando a segunda edição (corrigida e ampliada) do meu Almanaque da Rádio Nacional.



Trecho do livro:

Antes que me acusem ou torturem, vou logo entregando o ouro: este Guia do passado é seletivo, foi trabalhado em cima das minhas referências e saudades pessoais, que certamente não coincidem inteiramente com as referências e saudades dos leitores, inclusive os da minha geração. Muitas recordações, sem dúvida, serão comuns.
Os anos 50 tiveram no Brasil duas bandas: a primeira, o segundo governo de Getúlio Vargas (1951-1954), que lançou um grande projeto nacionalista, voltado para a emancipação do país. Foi o período da criação da Petrobras, da Lei de Remessa de Lucros, do esforço de criação da Eletrobrás, do enfrentamento de uma série de obstáculos internos e externos ao desenvolvimento brasileiro. A segunda banda dos anos 50 foi o governo de Juscelino Kubitschek, em que o Brasil foi bafejado por um profundo sentimento de euforia e desenvolvimento. Criamos, nessa época, a Bossa Nova, o cinema novo, a poesia concreta. Ganhamos a Copa do Mundo da Suécia, construímos Brasília, fizemos a nossa grande marcha para oeste. Surgiram os grandes eixos rodoviários. O projeto de governo de JK só foi possível porque houve antes o projeto de nação de Vargas. Um completou o outro. Parecia que o Brasil iria dar certo.
Os anos 50 são os anos da minha geração – e neles fincamos os alicerces daquilo que somos ou deixamos de ser. Os anos seguintes foram apenas consequências das nossas sementes. Minha geração viu de tudo nos anos 50: vimos um presidente se matar e transformar a sua derrota numa vitória política. Tivemos um presidente bossa nova, bem humorado, sorridente e, depois, já nos anos 60, uma ditadura militar, cruel e antipopular. Vivemos uma época em que a televisão inexistia, ou dava os seus primeiros e claudicantes passos. Computador, internet, ipad, ipod, celular, DVD e demais parafernálias eletrônicas, hoje tão corriqueiras nas mãos de crianças, eram inimagináveis nos anos 50. Emaranhado quântico, nanotecnologia, universos paralelos, viagens às imensidades galácticas, seleção de embriões para gerar bebês mais saudáveis, livres de doenças provocadas por genes defeituosos – como poderíamos imaginar que a ciência fosse chegar tão longe?

Nenhum comentário:

Postar um comentário