O Velhote do Penedo

O Velhote do Penedo
O Velho Professor do Penedo em plena labuta! Vida difícil, esta!

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Hoje, os bravos venceram


O texto abaixo – Hoje, os bravos venceram – é de Milton Pinheiro, jornalista e membro da direção política do Partido Comunista Brasileiro, PCB. Eu o transcrevo como eu o recebi: é um texto iracundo, veemente, que nos leva às entranhas do nosso país. Não há outra maneira de lê-lo, a não ser com a indignação dos que sofreram direta ou indiretamente com a repressão militar.

O texto de Milton Pinheiro se refere ao depoimento do delegado Cláudio Antonio Guerra, mostradas no livro “Memórias de uma guerra suja”, de Marcelo Netto e Rogério Medeiros. Este livro, editado pela Topbooks, nos fala das violências e torturas cometidas nos porões da ditadura. O torturador e assassino Cláudio Antônio Guerra confessa, sem o mínimo pudor, os crimes que cometeu, entre os quais o de Nestor Veras, comentado por Milton Pinheiro no texto que transcrevo abaixo.

A ira de Milton Pinheiro se justifica plenamente. Após a leitura do artigo, corram à livraria e comprem “Memórias de uma guerra suja”. Verão um pouco do Brasil e muito da ditadura militar que desgraçou este país.

Hoje, os bravos venceram.

Milton Pinheiro

 Os últimos dias foram marcados pelo horror que vazou dos porões da ditadura, que se encontra em polvorosa diante da possibilidade da comissão da verdade se estabelecer. São informações colhidas pelos jornalistas que entrevistaram o verme Cláudio Antônio Guerra, delegado do DOPS do Espírito Santo, refugiado na aposentadoria que o Estado conivente lhe premiou, sobre o desaparecimento de presos políticos. 

Não estou preocupado se a confraria do crime matou o comparsa, Sérgio Fleury. Estou indignado pelo conjunto das informações que esse celerado, Cláudio Guerra, passou. São crimes contra a humanidade, são manifestações de bestialidade organizada pela classe dominante para manter os seus privilégios.

Hoje, 3 de maio, acordei com o compromisso de encontrar camaradas: homens e mulheres, na frente do ex-prédio do DOI-CODI na Rua Tutóia, para fazermos uma manifestação cobrando punição para os criminosos da ditadura burgo-militar de 1964.

Marchei para o ponto marcado, fazia frio nas cercanias do Ibirapuera e o dia estava cinzento. Lá estavam jovens indignados, ex-presos políticos que sobreviveram ao massacre da ditadura, e militantes. Ouvimos depoimentos dos sobreviventes do “porão do inferno”, visitamos o fundo do prédio onde muitos foram martirizados e foram assassinados, mais de 50 heróis do povo brasileiro, entre eles, os comunistas Vladimir Herzog e Manoel Fiel Filho.

A manifestação prosseguiu, os nomes dos bravos lutadores assassinados foram levantados, e tal qual a lança do guerreiro, o brado forte dos presentes cortou o vento gelado e fez surgir o sol entre nós. Um-a-um, o nome dos mártires foi saudado pelo grito forte de “presente, agora e sempre”.

Entre tantos nomes saudados pela memória dos presentes, bravos homens e mulheres, um, ecoou pelo pátio da delegacia e adentrou o meu pensar, “Nestor Veras: presente, agora e sempre”. Mas em tempos de combate, onde a terra ainda é tingida de sangue no Brasil, quem é esse homem que lutou ao lado dos trabalhadores e pelo futuro, entregou a sua vida?

Nestor Veras, líder camponês, nasceu em 19 de julho de 1915, em Ribeirão Preto, São Paulo. Era dirigente do CC do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e encarregado do trabalho no campo. Foi dirigente da ULTAB e da CONTAG, fundador e editor do jornal Terra Livre. Ao lado de Francisco Julião e Alberto Passos Guimarães, organizou o Congresso Camponês que ocorreu em Belo Horizonte, em 1961. Cassado pelo AI-I foi condenado a cinco anos de cárcere pela LSN – lei de segurança nacional, passou a viver na clandestinidade, mesmo tendo uma companheira e cinco filhos.

Esse bravo comunista foi preso em abril de 1975, quando passava na frente de uma drogaria, em Belo Horizonte. Estava desaparecido até ontem, quando ficamos sabendo, via um representante da escória da ditadura, que Nestor Veras tinha sido muito torturado e estava agonizando. Eu lhe dei o tiro de misericórdia, na verdade dois, um no peito e outro na cabeça. Estava preso na Delegacia de Furtos em Belo Horizonte. Após tirá-lo de lá, o levamos para uma mata e demos os tiros. Foi enterrado por nós.”

 Após ter participado da manifestação, pela tarde fui para meu rotineiro trabalho de pesquisa no arquivo do Centro de Documentação e Memória da UNESP, o CEDEM. Lá encontrei um jovem estudante da UNIFESP que trabalhava com um conjunto de caixas do arquivo que continham informações da luta camponesa e da reforma agrária no Brasil, todas com o nome de Nestor Veras. Examinei as caixas com os documentos e encontrei a presença do dirigente camponês em tudo: textos, recortes de jornais, artigos na Voz Operária, congressos, assembléias, conferências, resoluções, informes, análise sobre as lutas dos trabalhadores do campo e da cidade. Esse foi o camponês que pensou o Brasil e lutou pela revolução socialista. Nestor Veras, homem simples da classe trabalhadora que teve um texto seu, colocado em um livro da Brasiliense por Caio Prado Júnior. Homem de combate, mas que encontrava tempo para tocar clarineta para os filhos.

Comovido diante daquela cena, pude então compreender que os bravos que tombaram, de forma desassombrada, pelos interesses dos trabalhadores brasileiros, venceram.  Eles venceram o silêncio da repressão e a conivência do Estado, venceram o luto cínico das instituições e o papel asqueroso da imprensa burguesa. Eles venceram, porque estão presentes na vontade de saber da juventude, venceram porque marcham ao nosso lado na luta sem trégua pela revolução brasileira.

Hoje, mais do que nunca, os bravos venceram!

E nós, militantes em defesa da humanidade saberemos, quando chegar o momento, honrar o compromisso feito por Carlos Danielli (momentos antes de ser assassinado) ao escrever com o líquido vermelho das suas veias nas paredes do DOI-CODI: “o meu sangue será vingado”. Afinal, “por nossos mortos nem um minuto de silêncio, toda uma vida de combate”.

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Y así pasan los días (4)

·         No último dia 5 estive em Poços de Caldas, onde participei da 12ª versão da Feira de Livros de Poços de Caldas (Flipoços). Proximamente trarei aqui mais informações a respeito, inclusive fotos.

·         “Tia” Dilma está enfrentando a resistência dos bancos particulares de reduzirem as taxas de lucros. Muito bem, “tia” Dilma!

·         “Tia” Dilma está se mostrando uma mulher de fibra e digna. Não votei nela, mas reconheço a sua coragem e valor. Avante, “tia” Dilma!

·         Vamos dar força à “tia” Dilma, gente! Endividados do meu Brasil: vamos dar um enorme beiço nos bancos! Hoje sabemos o quanto de escorchante os bancos cobravam dos endividados brasileiros. Não há porque se submeter aos bancos! Vamos lugar contra os bancos: ENDIVIDADOS, NÃO PAGUEM SUAS DÍVIDAS, A NÃO SER QUE OS BANCOS QUEIRAM RENEGOCIAR OFERECENDO AOS ENDIVIDADOS REDUÇÃO DOS JUROS, COMPATÍVEIS COM OS DOS BANCOS OFICIAIS!

·         Começou o julgamento dos assassinos do prefeito Celso Daniel!

·          Dados do Censo de 2010 mostram a situação do ensino brasileiro. Metade da população brasileira (45%) não possuem ensino fundamental completo. OK, há dez anos, esse percentual era de quase 60%. Mas o nível tecnológico de exigência educacional é, hoje, muito mais elevado que há dez anos. Portanto, é possível que os 45% atuais sejam, na realiudade, “maiores” que os anteriores 60%, não acham?

·         Tal percentual, quando vistos nos estados, fazem a gente ranger os dentes: Alagoas possue 60% da população sem o ensin o fundamental completo; o Piauí, 58%; a Paraíbva, 57%. Agora, o Rio de Janeiro: 36% da sua população não possue ensino fundamental completo, é possível!

·         Para concluir: entre mil escolas com as piores notas do Enem, 965 são estaduais. É, a coisa vai mal, muito mal!

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Sílvio Caldas, o grande seresteiro

Hoje, o vídeo é de Sílvio Caldas. Ele canta “As pastorinhas”, de Noel Rosa e João de Barro. Ouçam e curtam!

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