Por do sol em Penedo

Por do sol em Penedo

sábado, 13 de julho de 2013


Afinal, o que é vandalismo?

Durante as manifestações populares, a TV Globo e a Globonews deram destaque às ações dos chamados “vândalos”. O Velhote do Penedo, cá com seus botões, resolveu dizer o que ele considera ser verdadeiramente vandalismo no Brasil:

1 – Vandalismo é a corrupção, endêmica e generalizada no Brasil. Ninguém vai preso no Brasil por ser corrupto. Os mensaleiros foram condenados, mas estão por aí, soltos e fagueiros, dois dos quais pertencem à Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados. Isto, sim, é vandalismo.

2 -  Vandalismo é o despejo constante, diário e massivo de rejeitos industriais e químicos nos rios brasileiros. Tal como ocorre nos rios Tietê e Paraíba do Sul.

3 – Vandalismo é o desmatamento da Amazônia, cujos responsáveis não são punidos. Alguns deles, inclusive, são congressistas. Isto é vandalismo.

4 – Vandalismo é a poluição das praias brasileiras e a agressão sistemática de ecossistemas.

5 – Vandalismo é condenar milhões de trabalhadores a passar horas seguidas em transportes coletivos cheios, sujos, desconfortáveis e caindo aos pedaços. As autoridades não fazem nada, até porque os proprietários de empresas de transportes coletivos são financiadores de suas campanhas eleitorais. Isto, sim, é vandalismo.

6 – Vandalismo é a inflação, que corrói o salário dos mais pobres. Inflação que o governo nega ou tenta minimizar, mas que todos sentem quando vão aos mercados.

7 – Vandalismo é o trânsito caótico das cidades brasileiras, mormente o das grandes cidades. São os engarrafamentos monstros e permanentes, cujos custos em combustíveis importantados, depreciação da frota e perda de produtividade das pessoas paradas no trânsito chegam, só em São Paulo, a 8 bilhões de reais por ano. Enquanto os transportes coletivos em São Paulo são caóticos, o número de automóveis em São Paulo pulou de 3,4 milhões em abril de 2004 a 4,9 milhões em abril de 2013, entupindo ruas e avenidas. Isto, sim, é um vandalismo.

8 – Vandalismo é o descaso das autoridades, que, diante de deslizamentos de encostas, mortes e enchentes, prometem providências e não as cumprem. Tal como aconteceu (e vem acontecendo todos os anos) na região serrana do Rio de Janeiro, onde, em 2010, mais de 600 pessoas morreram.

9 – Vandalismo é dar prioridade à Copa do Mundo, torrar 30 bilhões em estádios - e virar as costas aos graves problemas do povo brasileiro. Isto, sim, é vandalismo.

10 – Vandalismo é o ministro da Educação do Brasil dizer: “O que museu tem a ver com educação?” Vandalismo é o ex-presidente Lula dizer, numa solenidade em que estavam presentes alunos das escolas públicas de São Paulo: “Ler é muito chato!” E o ministro da Educação, presente à solenidade, rir como se Lula tive contado uma piada.

11 – Vandalismo é o ex-presidente Lula se tornar um dos homens mais ricos do Brasil (apud Hélio Bicudo em entrevista postada no Youtube: vejam e ouçam!).

12 – Vandalismo são os índices de criminalidade, os índices de analfabetismo e os índices de morte por doenças perfeitamente curáveis no Brasil.

13 – Vandalismo é a desinformação, mentiras e tolices veiculados pelos meios de comunicação, sobretudo pela TV Globo e a Globonews, com o intuito de destorcer os fatos em favor dos grandes interesses econômicos.

14 – Vandalismo é o derramamento de petróleo, que destroi a fauna marinha. Isto, sim, é vandalismo.

15 – Vandalismo são os juros escorchantes que os brasileiros têm que pagar aos bancos e financeiras (além das taxas de serviços, é claro), enchendo as burras dos banqueiros e dos nababos das finanças.

16 – Vandalismo é o comportamento da maioria dos políticos brasileiros, que desmoralizam e enxovalham a atividade política e, em consequência, põem em perigo a própria democracia, que foi uma conquista do povo brasileiro, que lutou contra a ditadura. Isto, sim, é vandalismo.

***

 Em tempo: desde os sábios gregos aos grandes pensadores, aprendemos que a política é a arte da convivência nobre entre os homens, os grupos sociais e as nações. Pena que, no Brasil, a política, com as exceções de praxe, tenha a capacidade incoercível e infinita de atrair gente ordinária, desonesta e sem escrúpulos.

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