Por do sol em Penedo

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sábado, 9 de abril de 2016

Circo de horrores, vírgula, Brasil


A cara do Brasil

 

1 - Liguei a televisão. Na Band, “flashes” da reunião da Comissão do Impeachment.

Um verdadeiro “circo de horrores”. Um deputado, por exemplo, fez uma distinção entre “crime de responsabilidade” e “crime de responsabilidade fiscal” – e quando foi desenvolver a ideia, que lhe parecia brilhante e definitiva, enrolou-se de tal maneira que engasgou: teve uma crise de tosse. Uma deputada dormia. Um deputado foi chamado para falar – e também estava dormindo: “uma baba elástica e bovina”, como diria Nelson Rodrigues, escorria-lhe pelo canto da boca. Inúmeros deputados mexiam freneticamente nos seus celulares. Outros liam jornais. Muitos conversavam entre si, tapando a boca com as mãos, de modo a evitar sinistras leituras labiais, que revelariam seus recônditos segredos. O tédio estava estampado na cara de alguns. Um deputado gaúcho, petista, fez um discurso tão nervoso e tenso, que achei um milagre ele não ter tido uma embolia ou um derrame. Outro deputado gastou o seu tempo defendendo a igreja da qual faz parte, que, segundo ele, tinha sido ofendida por outro parlamentar, um sujeito bronco e estúpido.

Segundo disse a repórter, a coisa varou a madrugada, no mesmo diapasão, ritmo e flagrantes. Segunda-feira tem mais, com a presença do inefável José Eduardo Cardozo, alçado por “tia” Dilma à condição de jurista, o que evidencia a enorme carência de quadros que a presidente dispõe para – valha-me Deus! – governar o país.

Certa altura, o presidente da Comissão informou que estavam servidos, na sala ao lado, sucos, cafezinhos e sanduíches de queijo. Houve, então, um avanço, que me lembrou o avanço de hienas sobre uma carcaça.

Um verdadeiro circo de horrores. Enquanto isso, as epidemias grassam, o ensino despenca em qualidade, a inflação come os salários, o desemprego avança, a violência aumenta, o comércio despenca, a indústria entre em colapso, os serviços públicos se deterioram, o Brasil se esfacela.

2 – Despontou nos céus do Brasil um novo escândalo! O Tribunal de Contas da União (TCU), ao analisar o Programa Nacional de Colonização e Reforma Agrária descobriu um rombo de 2,83 bilhões de reais! E pior: o programa existe para atender produtores rurais (sem terra) que recebem até três salários mínimos; mas foram beneficiados 37 mil pessoas mortas, 62 mil empresários, 144 mil servidores públicos, 847 vereadores, 96 deputados estaduais, 69 vice-prefeitos, quatro prefeitos e um senador!

Cadê o MST para protestar? Aliás, cadê a UNE para protestar contra o corte de verbas da educação?

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