segunda-feira, 18 de abril de 2016

Plantou e colheu


O impeachment de Dilma

 

Dilma plantou e colheu. Arrogante, autossuficiente, certa de que ela podia governar sozinha, decidir tudo (sobre qualquer assunto) e tocar a vida aos berros e xingos. Deu-se mal. Era inevitável.

Há meses, participando de uma reunião plenária organizada pelo senador Cristovam Buarque, eu disse que a saída da crise estava num grande debate, orientado por Dilma, de forma à formulação de um projeto para o país. O projeto deveria englobar um conjunto de reformas políticas e o desenho de uma saída econômica. Mas – acentuei – esse debate só teria eficácia se liderado pela própria presidente da República. Mas – acrescentei - a autossuficiência dela, o temperamento dela, o perfil dela, impediria Dilma de fazer o que devia fazer. Falta, sempre faltou à presidente, vocação política e o reconhecimento de que o diálogo é essencial. Tancredo dizia que política “agente faz com os adversários e inimigos; com os amigos basta uma boa conversa e tudo se acerta”. Dilma só queria fazer “política” com os submissos.

A presidente não procurou quem devia procurar. Sentou-se no colo do Lula e acreditou que ele faria o milagre que reverter a situação. Mas era tarde. Lula não tem habilidade ou estatura para levar adiante uma costura desse tamanho e importância. Lula, por exemplo, foi constituinte, mas sua passagem pelo parlamento foi pífia; quem se destacou, na época, foi o Genoino. A articulação política do Lula foi um tremendo fracasso.

Em face das nuvens negras que se aproximavam, Dilma e Lula resolveram, então, radicalizar o discurso. Enquanto, entre quatro paredes, procuravam convencer – via Diário Oficial - deputados dos diversos partidos, partiram para o discurso agressivo: Dilma transformou o salão do Planalto em palanque; Lula foi para as ruas, seu habitat, ameaçando e ofendendo indiscriminadamente a todos. A contradição era clara: discursos ofensivos e conversa ao pé do ouvido não se combinam.

Dilma plantou e colheu.

Não sei se o impeachment é a melhor solução para a grave crise brasileira. Talvez não seja, mas é preciso considerar que Dilma levou o Brasil ao buraco – e ela, hoje, não teria mais condições de governar. Temer terá? Não sei, mas Temer é um sujeito habilidoso, saberá se cercar de gente competente e buscar apoio na Câmara e no Senado.

Dilma plantou e colheu.

O governo, afora o processo de impeachment, sofreu uma derrota mais que fragorosa: recebeu 26,8% dos votos da Câmara, o que significa que Dilma não tem, nem terá ou teria, condições de governar, caso a coisa mude no Senado.

Hoje, segunda, 17 de abril, Dilma prometeu fazer um pronunciamento à nação: seria melhor não fazer, pois o panelaço será inevitável.

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