Por do sol em Penedo

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segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Lições das urnas


O PT me impressiona. Andei vendo alguns dos seus parlamentares comentando o resultado das eleições. Segundo eles, o que levou o PT a ter resultados tão pífios foi o “processo de criminalização do partido”, levado a cabo pelos golpistas. O que me impressiona no PT é a sua incapacidade de ver a realidade e de reconhecer os seus erros. Só enxerga o que supõe. O PT sofre de disfunção cognitiva. A senadora Vanessa Graziotin, que não é do PT, voltou à cantilena de direita e esquerda, o que mostra um bloqueio de pensamento que se aproxima da demência. É um caso perdido.

O PT sofreu uma derrota retumbante. O número de cidades administradas pelo PT caiu de 630 (em 2012) para 256 (2016), uma perda de 374 cidades, inclusive de cidades importantes como São Paulo, o cinturão do ABC, entre outras. Em termos de votos, o PT apresentou um descenso de 78%: eram 15 milhões de eleitores, em 2012, para 3,3 milhões, em 2016. Se o PT não fizer uma profunda reflexão, o que talvez implique no afastamento de muitos dos seus caciques, que mandam e desmandam - os quais estão queimados junto à opinião pública devido a seus envolvimentos na Lava Jato.

Claro, não só o PT precisa fazer uma reavaliação profunda. Os demais partidos da esquerda pré-histórica precisam fazer o mesmo.

O relativo sucesso do Freixo no Rio de Janeiro parece ter subido à cabeça da militância. É preciso ficar atento e forte, pois, caso Freixo seja eleito, vai administrar um fogareiro, uma cidade falida, endividada, dominada em áreas extensas pelo narcotráfico e pelas milícias. Uma cidade extremamente linda, mas fraturada em desigualdades escancaradas. Freixo foi um candidato de parte da classe média, universitária, de zona sul. O discurso político do Freixo é um frescor aos ouvidos dos seus eleitores, mas o importante, no segundo turno, serão suas propostas para os problemas da cidade. Os ouvidos dos cidadãos que morrem nas filas dos hospitais, dos jovens e pais que têm filhos em escolas ruins, dos cariocas que enfrentam transportes coletivos péssimos, dos favelados e moradores nos subúrbios – esse universo não deseja ouvir jargões, clichês e palavras de ordem. Querem ver soluções.

Outro fenômeno aguardado foi o “não voto”, ou seja, a soma das abstenções, nulos e em branco. O desalento da população com a política parece ser evidente – e tende a aumentar. Eu creio que o número de não votos deverá aumentar no segundo turno, mormente no Rio de Janeiro. Cerca de 30% dos brasileiros recusaram-se a votar.

Enfim, as eleições mostraram duas coisas: a) o enorme desalento da população, descrente da política e dos políticos; b) a derrocada da esquerda pré-histórica, principalmente do PT. São duas questões essenciais. Ambas merecem ser debatidas intensamente no Brasil, mas, para nossa desgraça, os principais envolvidos – os políticos e os dirigentes e militantes dos partidos da esquerda pré-histórica – não demonstram nenhum interesse em levar a discussão adiante.

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