Por do sol em Penedo

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sexta-feira, 3 de março de 2017

Um manifesto lamentável


Quatrocentos cidadãos assinaram um manifesto (ou carta-aberta) pedindo a Lula que antecipe o lançamento de sua candidatura à presidente da República, em 2018. Os signatários se autoproclamaram “intelectuais”, embora, para citar um só exemplo, um deles informou que era um “ocupante de escola”. Não importa. Escrevi o texto abaixo e o postei na minha página do Facebook. Como julgo o tema relevante, trago ele agora para o meu blog.

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Lamentável. Triste. Pesaroso. Está certo que as pessoas façam suas escolhas, tenham absoluta liberdade de externar suas opiniões, mesmo que, no fundo, não tenham consciência disso. Não defendo, jamais defendi e nunca defenderei a censura, muito menos a truculência. Estou sendo vítima da censura e experimentei no lombo a truculência. Desprezo a censura e a truculência - venham da direita, do centro ou da esquerda.

Chico Buarque, por exemplo, no episódio do processo de Roberto Carlos contra o escritor Paulo César de Araújo ficou do lado da censura, que foi exercida com todos os requintes de brutalidade. Roberto Carlos, após exigir que os exemplares de sua biografia fossem recolhidos, montou uma belíssima fogueira e – bem, só faltou Caetano, Gil, Chico Buarque, Djavan e  o outros, de mãos dadas, rodopiando em torno das labaredas ao som alegre do “Apesar de você”. Triste que tenhamos chegado a esse ponto.

Chico está entre os 400 intelectuais que pediram a volta do Lula, um sujeito rejeitado pela população (a julgar pelas últimas eleições) e réu em cinco processos criminais. Li o manifesto ou carta aberta, não sei o nome que deram. 400 intelectuais - grande parte deles nada tendo a mostrar no campo do saber, do conhecimento ou da arte. Li o manifesto (ou que nome tenha), constatei dois erros de português, um deles grosseiro – e, aí, resolvi escrever a respeito. Não vou ofender ninguém, nem deplorar a coragem de muitos que ali postaram suas assinaturas, sem se dar conta (ou dando) que Lula é, na verdade, um espertalhão, um carreirista, que joga para si, jamais para a esquerda, para a direita ou para o centro. Tais categorias não existem para Lula. Ele não é nada – e, nesse nada, fez carreira e fortuna.

Não creio que Lula se candidatará. Tenho certeza que ele descobriu um novo papel para sua trajetória oportunista: a de vítima que, com um pouco de sorte, poderá, na calada, usufruir da fortuna que amealhou.

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