sábado, 3 de novembro de 2018

Bobageira não é sinônimo de oposição


Não vou aceitar que o PT – nem ninguém - paute a minha oposição ao governo Bolsonaro.
É essencial que as esquerdas reconstruam um consistente projeto, sem as taras que o PT plantou no cenário político do país. O PT provou nos seus 13 anos de governo que não é um partido de esquerda, muito menos capacitado a administrar o país. É um partido retórico, arrogante, incapaz de levar vida democrática e aceitar que outros pensem de modo diverso. O PT é um partido autoritário. O seu grande líder, o comissário Lula, está preso devido bandalheiras que patrocinou e usufruiu. Vai cumprir 12 anos - e alguns outros mais, que a justiça logo definirá ao julgar seus outros processos.
A escolha do juiz Moro causou certo reboliço nas hostes petistas – e com razão. Moro, na ministério da Justiça, aprofundará a luta contra a corrupção e irá fundo na luta contra o crime organizado. Isto é intolerável para o PT e asseclas, que desejam viver num mundo de impunidades. Esta é a origem da ânsia petista pela soltura do Lula. Impunidade: seu nome é Lula livre.
Vi o ex-deputado José Eduardo Cardoso, aquele pífio e medíocre advogado da ex-presidente Dilma, dizer que a ida de Moro para um cargo executivo é inédita e depõe contra a justiça. Muitos petistas repetiram a bobagem, o que demonstra um desconhecimento compacto e generalizado da história brasileira. Nelson Jobim foi ministro do STF e, depois, ministro da Defesa. Célio Borja foi do STF e, em seguida, ministro da Justiça. No Império, Eusébio de Queiróz foi juiz e, depois, ministro da Justiça, autor da lei que reprimia o tráfico de escravos. O exemplo mais emblemático foi o de José Francisco Rezek, que pediu exoneração em 1990 (tinha sido nomeado em 1989) do cargo de ministro do STF e foi ser ministro das Relações Exteriores, onde permaneceu até 1992. Muitos ministros se transformaram em juízes, inclusive da suprema corte. Mudanças de lado a lado é comum no Brasil.
Até agora, confesso docemente constrangido, os nomes indicados por Bolsonaro me agradaram. E tem mais: queiramos ou não, Bolsonaro foi eleito e pode escolher quem ele quiser para compor o seu ministro.
Sou favorável à fusão dos ministérios da Educação e Cultura. Não há constrangimento alguma nessa providência: leiam os livros “Tempos de Capanema” (Simon Schwartzman, e outros, Paz e Terra) e “Gustavo Capanema” (Murilo Badaró, Nova Fronteira). Gustavo Capanema foi um dos grandes ministros da Educação e da Cultura. Seu chefe de gabinete era Carlos Drummond de Andrade. Criou o Serviço Nacional do Teatro e o Instituto Nacional do Livro, entre muitos outros órgãos ligados às duas áreas. Digo isto porque desejo reafirmar que não há incompatibilidade entre educação e cultura, que podem formar um único ministério.
Não votei no Bolsonaro e nem no Haddad. Aliás, nem fui lá: fiquei em casa lendo “A ilha de Sacalina: notas de viagem” (Anton Tchékhon, Todavia). Mas eu sabia que Bolsonaro seria eleito. Não perdi, nem vou perder o sono por isso. Nem acho que a democracia corre perigo.
Por fim, oposição não é baderna nem besteirol, muito menos essa tolice a que chamam de “resistência”. É preciso que ela tenha conteúdo e objetivos consistentes, sendo um deles, sem dúvida, a montagem de um projeto de esquerda, pluripartidário, democrático, que permita a convivência dos contrários e a liberte das taras e da corrupção. Concluo: não vou ser pautado pelo PT e muito menos por gente como a Gleisi, o Lindenberg, Boulos et caterva.
Meu único consultor é o Velhote do Penedo. Mesmo assim, ele às vezes me enche o saco.

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